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Cultura » Um minuto de escuridão, por favor

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Luiz Carlos Merten

22 Março 2009 | 09h40

Guilherme me cobra um post sobre Natasha Richardson, só para constar. Há dias que venho pensando no assunto, mas minhas postagens têm sido irregulares, como vocês puderam perceber. Que coisa, não? Natasha morreu em conseqüência de traumatismo craniano decorrente de uma queda numa pista de esqui. Confesso que o absurdo de certas situações me deixa sempre perplexo. Foi como me disse um diretor de cinema – ‘Nos filmes, a gente tem de se preocupar com a verossimilhança. A realidade, não. A realidade é muito mais absurda do que a mais delirante ficção que a gente criar.’ Natasha, filha de Vanessa Redgrave e Tony Richardson, sobrinha de Lynn Redgrave, neta de sir Michael, descendia de uma linhagem de grandes artistas. Não teve uma grande carreira cinematográfica, mas participou de alguns filmes bons e outros tantos importantes. Estreou como Mary Shelley em ‘Gothic’, de Ken Russell, no papel da autora de ‘Frankenstein’, mas eu tenho a impressão de que seus melhores momentos no cinema foram com Paul Schrader, em ‘Patty Hearst’ e ‘The Comfort of Strangers’, que o diretor adaptou de Ian McEwan. Embora seja grande roteirista (de clássicos de Martin Scorsese), Paul Schrader preferiu que Harold Pinter e o próprio McEwan escrevessem o script – admira que fosse tão bom, naquela linha flamboyant em que Harold era insuperável (Joseph Losey que o diga)? Infelizmente, nunca vi Natasha Richardson no palco, mas a Broadway lhe prestou a maior das homenagens. Vocês sabem que, quando morre um grande ator ou uma grande atriz, a Broadway apaga suas luzes simbolicamente, durante um minuto. Em vez do minuto de silêncio, um minuto de escuridão, porque fomos privados do brilho de um grande artista. Uma das últimas a receber a homenagem havia sido Katharine Hepburn. As luzes se apagaram agora por Natasha Richardson. Ela havia recebido o Tony, o Oscar do teatro, por ‘Cabaret’.