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Cultura » Um magnífico aventureiro

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Luiz Carlos Merten

10 Outubro 2010 | 12h45

Eu e meus posts. Quando começo a postar, difícil é parar. Ainda sobre a edição de julho/agosto de ‘Cahiers’. A redação divide-se sobre ‘Tournée’, de Mathieu Amalric, que estará na Mostra. O filme recebeu os prêmios de direção (do júri oficial) e de melhor filme (da crítica) em Cannes. Acho que esta gente toda está louca, mas ontem mesmo, na coletiva da Mostra, duas ou três pessoas vieram me falar (bem) de ‘Tournée’. O filme é sobre mulheres de Fellini que invadem um drama de Cassavetes, ‘Marido’ (no singular). Desfrutem, por favor. Eu, fora. ‘Cahiers’ dá boas cotações a Amalric, mas dois ou três de seus integrantes do conselho de redação jogam o filme lá embaixo. Coincidentemente, ou não, são os que mais elogiam ‘Carlos’, de Assayas, cuja crítica está na mesma edição (e que eu amei). Mas não era bem sobre isso que queria falar. Akira Kurosawa é um dos homenageados da 34ª Mostra, que traz uma exposição de seus desenhos, na verdade, o storyboard de seus últimos filmes, além da versão restaurada de ‘Os Sete Samurais’. Grande Kurosawa, bacana. Mas olhando, no fim de Cahiers, a programação de julho e agosto, descobri que a Cinemateca Francesa realizava duas retrospectivas. Uma sobre Kurosawa, muito bem, e outra que me interessou até mais, porque é o tipo do ‘autor’ ao qual críticos ‘sérios’ não dispensam maior atenção, só os franceses. Não me lembro se foi no texto para o jornal ou para o blog, talvez em ambos, mas lembrei de ‘O Magnífico Aventureiro’, de Riccardo Freda, a propósito de ‘Lope’, de Andrucha Waddington. Como o ‘aventureiro’ de Freda, o escultor Benvenutto Cellini, o Lope da Vega de Andrucha é um homem total – guerreiro, artista, amante. Desde que citei ‘O Magnífico Aventrureiro’, outro filme de Freda, feito um pouco antes, tem martelado minha cabeça – ‘As Sete Espadas do Vingador’, também com Brett Halsey, que fazia Benvenutto Cellini. Pois bem, a outra retrospectiva da Cinemateca Francesa era dedicada a Riccardo Freda. Duvido que Leon Cakoff ou qualquer outro curador brasileiro se lembrasse de propor uma retrospectiva do ex-marido de Gianna Maria Canale (e diretor de ‘O Guarani’, que filmou no Brasil, contando a história de Carlos Gomes). Volto ao ‘Dicionário de Cinema’ e ao que sobre Freda diz Jean Tulard – ‘Escultor, crítico de arte e roteirista, fez um cinema autenticamente popular. Teve o mérito de resistir ao neo-realismo, defendendo as superproduções históricas com os recursos que lhe eram disponíveis, e desenvolveu na Itália o gênero fantástico.” O cinema de Freda alegrou minha juventude. Seus clássicos de capa e espada fazem parte do meu imaginário. A Cinemateca Francesa já lhe reconheceu a importância. E aqui? Afinal, além da cinebiografia de Carlos Gomes, Freda dirigiu no Brasil ‘O Caçula do Barulho’, com o jovem Anselmo Duarte, em 1949.

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