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Um grande (o melhor?) Haneke

Luiz Carlos Merten

21 Maio 2009 | 14h03

CANNES – Ando desanimado para alimentar o blog porque eu proprio sinto um estranhamento ao escrever sem acentos, usando esses Hs, sem nunca saber se o sentido dos textos estarah sendo captado corretamente por voces. Meu computador anda dando pau. Hoje, precisei restartar tres ou quatro vezes para cada texto que devia enviar para o jornal e, depois, a conexaoh foi um desastre na hora de enviar por e-mail. Mas ejh preciso dar noticias. Ontem, fui a Cap d`Antibes entrevistar Lars Von Trier e Charlotte Rampling. Participava de grupos, mas tive a sorte de perguntar bastante e, no finalzinho, ainda conseguiiu conversar soh ciom um e outro. Charlotte havia falado da influencia dos pais, Jane Birkin e Serge Gainbourg, e na hora de sair eu lhe disse que havia entrevistado a maeh, que fez shows aqui no Brasil, e tambem que `Je t`Aime, Moi non Plus` reestreara em Saoh Paulo. Ela me acompanhou conversando ateh a porta, gentil e encantada, um amor de pessoa, conbtando como o filme de Lars, `Anti-Christ`, a levou a encarar suas incertezas e fragilidades e de como ele se recusa a explicar-lhe o projeto e tambem a indicar uma direcaoh, permitindo-lhe encontrar seu rumo na direcaoh da personagem. Sai de Cap d`Antibes e corri ah Croisette para entrevistar, na Cha Cha Beach – o nome eh adequado, naoh? -, Penelope Cruz. A entrevista estah na capa de hoje do `Caderno 2`. Penelope estava gripada, mas falou de Woody Allen e Pedro Almodovar, como o segundo a dirige com precisaoh, as vezes representando ele proprio para indicar o que quer. Penelope, apesar do Oscar, assumiu que eh insegura e disse que, no limite, tem sempre medo de ser despedida do set nos filmes em que trabalha. E ela contou que eh muito dificil fazer comedia, para ela, mais dificil. Depois dos deslocamentos, e entrevistas, redigir os textos jah foi um pouco a antecipacaoh dos problemas de hoje, um sufoco. Ainda tinha de ver o filme de Eduardo Valente, `No Meu Lugar`, e por isso perdi a primeira sessaoh do Haneke, tenho de recuperar `Le Ruban Blanc` as 22h30. O filme tem mais de 2h30. Sai do palais mais de uma da manhah, mas recompensado. Nunca fui muito fah de Haneke, mas esse eh um filme de mudanca na carreira dele, e esplendidamente realizado. Isabelle Huppert, na presidencia do juri, naoh terah muita oposicaoh para lhe atribuir um premio importante, ateh a Palma, embora por enquanto o campeaoh das preferencias, tanto para a critica francesa quanto intertnacional, eh Jacques Audiard, com `Un Prophete`. Mas o Haneke eh poderoso. O diretor volta ao alemaoh, situando a acaoh de seu novo filme na Prussia, em 1913, para falar do repressivo sistemade educacaoh que serviu de alicerce para o nazismo. A historia se passa nesse lugarejo e Haneke aborda a violencia de forma indireta. Ocorrem `incidentes`, como diz o narrador. Soh que naoh saoh incidentes, mas uma serie de agressoes que vai questionando a sanidade dessa sociedade (e a de suas criancas, submetidas a dura repressaoh). Haneke naoh mudou sua visaoh de mundo nem de cinema. O homem continua sendo o lobo do homem, o filme naoh eh conclusivo. O final fica em aberto. Mas o esplendor da mise-en-scene… Hah um rigor `kubrickiano` em `Le Ruban Blanc`. A fotografia em preto e branco eh extraordinaria e a interpretacaoh… A produtora francesa Margarete Menegoz, da Losange Films, diz que Haneke ficou sete meses soh escolhendo atores. As criancas saoh impressionantes. Um dos pais eh esse pastor duro com os filhos. Hah uma cena que vai virar de antologia. Seu filho menor quer `adotar` um passaro ferido e ele diz ao garoto que vai se apegar a ave e naoh vai querer devolver-lhe a liberdade. O que o menino faz com a gaiola num determinado momento eh de cortar o folego. Sem entrar em detalhes, espero haver deixado voces loucos de vontade de ver `Le Ruban Blanc`. P… filme!

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