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Um domingo maravilhoso

Luiz Carlos Merten

25 Agosto 2009 | 01h05

No Rio, o sábado foi em função do Criança Esperança (à noite) e o domingo um prólogo para o evento que ocorreu à tarde na Sala Cecília Meireles. A Orquestra da Petrobras, regida por Isaac Karabtchevsky, apresentou ‘Sonhos de Uma Noite de Verão’, do Rachmaninoff, com base em Shakespeare. Trata-se de uma mistura de concerto e teatro, com uma parte cantada, em geral por um barítono (ou será tenor?), mas que nessa versão é recitada por Thiago Lacerda. Fomos, Gabriel Villela, Dib Carneiro e eu, por amizade ao Thiago, que foi um extraordinário Calígula, na montagem de Gabriel para o texto de Albert Camus (traduzido pelo Dib). O espetáculo foi lindo, na sua proposta de formação de plateia e fusão do erudito com o popular, representado justamente pela fala coloquial do Thiago (o que não o impede de ‘criar’, oralmente, diferentes personagens, incluindo uma mulher). No final, Thiago nos arrastou para a casa do maestro, no alto da Gávea, um lugar maravilhoso, encravado na Mata Atlântica. A casa pertenceu a Bené Nunes e, nela, conta a lenda que surgiu a Bossa Nova. Ouvimos de Maria Helena, mulher e empresária de Karabitchevsky, histórias sobre a permanência do maestro em Viena e Veneza, onde foi regente convidado no Fenice. Thiago, sua mulher, Vanessa Loes, e o Gabriel acabam de chegar de Londres, onde viram muitas peças – um Hamlet com Jude Law, uma Fedra com Helen Mirren, um ‘Jardim das Cerejeiras’ encenado por Sam Mendes etc. Poderia ficar horas conversando sobre teatro, cinema, música. Foi um fim de semana de muito aprendizado. E eu ainda li, numa ‘Première’ (francesa) que comprei no aeroporto – o número é de julho e Johnny Depp está na capa, como Dillinger – uma reportagem sensacional. A revista juntou Michael Mann e Jean-François Richet, de ‘Mesrine’, para uma conversa sobre cinema de gângsteres. Sensacional! ‘Inimigos Públicos’ também é destaque em outra revista francesa, ‘Studio’, que também comprei. Há outra bela entrevista de Michael Mann, sozinho – ‘À altura do mito’ -, sobre como ele reinventa o filme de gângsteres. Dillinger, diz o diretor, encarna às maravilhas o dilema entre o aspecto consdervador de sua época e a modernidade de seu espírito. É fascinante vê-lo explicar como rodou muitas cenas de ‘Inimigos Públicos’ em película e HD, experimentando a textura da imagem com seu fotógrafo, Dante Spinotti (que também fotografou o maravilhoso ‘Los Angeles – Cidade Proibida’, de Curtis Hanson). Gostei do que também diz o Michael Mann. Segundo ele, O HD lhe permitiu recriar uma típica tarde de 1933, mas tudo no set remetia a presente. “É exatamente o que eu queria expressar neste filme.”