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Luiz Carlos Merten

31 Maio 2009 | 13h35

Fui ver ontem pela manhã na Reserva Cultural o filme ‘Caramelo’, para entrevistar a diretora Nadine Labaki, que também é atriz (a protagonista). Gostei demais do filme, que investiga o universo feminino na cultura libanesa patriarcal e que a atriz e diretora dedica à ‘sua’ Beirute. Vou ter oportunidade de voltar a falar de ‘Caramelo’, mas já quero deixar registrado o encanto que o filme me produziu. E, gente, que que é aquilo? Que mulheres mais bonitas, a própria Nadine, para começar… Sua personagem vive à sombra do amante, um homem casado, e ela, durante boa parte de ‘Caramelo’, não tem olhos para o policial que a deseja ardentemente. O ator que faz o papel é um homem bonito, ou pelo menos muito charmoso. Numa cena, ele olha de longe, Nadine recebe o telefonema do amante e inicia-se um diálogo impossível entre os dois, muito bem escrito e interpretado, por sinal. Nadine fala com o outro, o policial diz suas frases do lado de cá we elas vão se completando numa declaração de amor. As mulheres de ‘Caramelo’ trabalham num instituto de beleza. A cena em que o policial vai ao instituto é maravilhosa, um olhar feminino sobre a corte que um homem faz a uma mulher. O movimento do desejo, o jogo da sedução, o medo da rejeição… Adorei.