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Cultura » Um Crime de Mestre. Por Anthony Hopkins

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Luiz Carlos Merten

10 Maio 2007 | 20h32

Meu ex-colega no Estado, que agora faz assessoria da PlayArte, Fábio Barreto – homônimo do cineasta, que carma! – , me convocou para ver um filme da empresa que estréia amanhã. Fui ver Um Crime de Mestre com o pé atrás, apesar de Anthony Hopkins e Ryan Gosling. E não é que gostei? Anthony Hopkins faz mais uma vez o criminoso frio. Na cena inicial, ele dispara à queima-roupa na mulher adúltera, mas faz a coisa de um jeito que, de repente, o promotor que pega o caso achando que seria moleza (Gosling) descobre não apenas que não tem um caso como poderá perder o novo emprego e o criminoso ainda ficará impune. Achei os personagens bem verossímeis e os dilemas do jovem promotor me lembraram muito Hannah Arendt, que teorizou sobre a banalidade do mal e depois revisou seu conceito, dizendo que só o bem pode ser banal. É a base do meu texto de amanhã do Caderno 2 sobre Um Crime de Mestre. Anthony Hopkins é f… Vive dizendo que vai parar com a carreira, mas continua. Ainda bem! Não existe outro ator para criar esse tipo de personagem. Mais que a sensação de que o Hopkins estava repetindo Hannibal Lecter, tive a de que ele estava reinventando outro monstro imperturbável, o Kevin Spacey de Seven – Os Sete Crimes Capitais. Em nível menor, Um Crime de Mestre me causou uma perturbação parecida com a que tive vendo Seven. Mas, confesso, cheguei completamente cru, sem esperar nada. Temo influenciar vocês e, de alguma forma, atenuar o impacto.

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