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Luiz Carlos Merten

13 Março 2007 | 12h55

Sérgio Leehman descobriu que este ano se comemora o centenário de Gordon Douglas e está programando, para dezembro, uma homenagem ao diretor, na rede Telecine. Como sabe que adoro GD, me perguntou que filme gostaria de ver na programação? Além de Rio Conchos, O Revólver de Um Desconhecido, Crime sem Perdão e O Mundo em Perigo (Them!)? Tem um – Nenhuma Mulher Vale tanto (The Iron Mistress), com Alan Ladd e Virginia Mayo. Na minha lembrança é um filme maravilhoso e a iron mistress do título (a amante de ferro) tanto pode ser a faca, que Ladd maneja como ninguém, como a personagem de Virginia, uma daquelas mulheres fatais que marcaram época no cinema de Hollywood. Só isso, Visconti e GD, já me deixaria em êxtase. Mas o Sérgio contou mais. Quando perguntei por nosso amigo A.C. Gomes de Mattos, autor dos livros sobre o western, o filme B e o noir que saíram pela Rocco – além de um velho volume sobre Ernst Lubitsch, John Huston e Fred Zinnemann que Sérgio e ele co-escreveram -, a resposta foi que Sérgio passou por uma cirurgia e, como conseqüência, ficou retido dois meses no Rio, em recuperação. Durante este tempo, A.C. insistiu para que retomassem a parceria e eles estão finalizando um livro que promete, sobre o cinema clássico francês, pré-nouvelle vague. Vai se chamar Um Cinema de Qualidade, um pouco para brincar com o Truffaut, que escreveu aquele artigo célebre detonando o cinema anterior à geração dele como um exemplo de (má) qualidade do cinema francês. O formato vai ser o mesmo dos livros anteriores de A.C. Gomes de Mattos. Uma introdução, rica em conceituação e informações históricas, e depois um glossário de 200 filmes, dos anos 30 aos 50, mapeando a produção de Renoir, Duvivier, Lara, Clément, Clouzot e outros. Sérgio Leehman imagina que o livro estará pronto para lançamento no começo de 2008.