Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Um cigarro ‘depois’…

Cultura

Luiz Carlos Merten

25 Maio 2012 | 12h38

CANNES – Outra voz francesa veio se somar ao coro de elogios para ‘On the Road’. O filme vai se chamar, como a tradução de Eduardo Bueno, ‘Na Estrada’. Estreia aí em 13 de julho. O crítico do ‘Le Nouvel Observateur’ amou o filme de Walter Salles e o curioso é que quem gosta de ‘Na Estrsada’ faz análises muito ricas das escolhas do diretor e sobre o trabalho de atualização e superação do texto que Walter Salles propõe. Quem não goata fica batendo na mesm,a tecla – o filme é bonito, mas superficial. Essa gente está louca. Meio mundo está torcendo aqui pelo ‘Amour’, de Michael Haneke, e a outra metade pelo ‘Holy Motors’, de Leos Carax. O presioente do júri é queridinho de ‘Cahiers du Cinéma’, que considerou ‘Habemus Papam’ o melhor filme do ano passado. Espero, sinceramente, que Moretti não seja influenciado pela revista, que outorgou só uma Palma de Ouro nos quadros de cotações do festival, e ela foi poara Carax. Assisti hoje a ‘Cosmópolis’, que David Cronenberg adaptou do livro cult de Dom DeLillo. O filme é muito fiel ao original, talvez demais, mesmo que Cronenberg suprima detalhes importantes. Por se concentrar no personagem de Robert Pattinson dentro da limosine, cujo branco vai sendo degradado pela grafitagem dos manifestantes contra o que representa, Cronenberg elimina o tubarão que ele tem em casa, como bicho de estimação – o que também seria uma metáfora meio óbvia do capitalismo selvagem. Achei o filme muito interessante, mas não sei se manteria o julgamento fora do contexto do festival. É que Thierrfy Frémaux propõe uma seleção que diasloga muito entre si e a limosine branca de Cronenberg remete à de Denis Lavant no filme de Carax. Tem até uma interrogação- o que fazem as limosines à noite? Francamente, parece piada, como se o produtor português Paulo Branco tivesse lido o roteiro de Carax e soprado a pergunta para Cronenberg. Pois o filme do outro tem essa cena que mostra as máquinas sozinhas, entre elas, à noite, e o que fazem. Igualmente,”Cosmópolis’ dialoga com ‘Cogan – Killing Them Softly, de Andrew Dominik, que também usa acertos de contas no submundo para tratar de ajustes econômicos no mundo atual e o tema permeia a visão dov p´resente (futurista) de Cronewnberg. Nãoi creio,  pelo cinema de Nanni Moretti, quie ‘Cosmópolis’ seja premiável, e menos ainda com a Palma de Ouro, mas nunca se sabe. Cronenberg constrói o filme muito próximo da cara de Robert Pattinson e eu achei seu partido estético bem curioso, mas tednho de admitir que a melhor cena é com Mathieu Amalric, que simplesmente ‘engole’ o senhor Kristen Stewart – aguardem para confirmar. Por falar nela, enttrevistei hoje o elenco de Walter Salles. Kristen, num shortinho cavadão, que ela trocou à tarde, quando voltei ao hotel. Five para entrevistar Sam Riley e Garret Hedlund, que faz Dean Moriarty. Achei-a muito gracinha, e madura, focada. Perguntei a Garret se houve alguma cena mais difícil, de que ele tivesse medo, porque talvez não conseguisse expressar a fúiria de viver de Dean (e o seu vazio existencial). Ele me disse que percebeu que teria de não ter medo de ser ridículo, e foi o que fez, para ir fundo no personasgem. Mas disse que nunca se sentiu mais ridículo do que na cena de sexo s três, com Kristen e Riley, que faz ‘Sal’. Depois do que se presume que seja o gozo,. na tela, ele relaxou e pediu um cigarrto para Sam, que lhe disse ‘Non, man’. Ele riu, eu ri. Era intimidade demais, como se o sexo tivesse sido de verdade.

Encontrou algum erro? Entre em contato