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Luiz Carlos Merten

16 Abril 2008 | 17h21

Daniel queixa-se de que eu não falei sobre ‘Falsa Loira’, na verdade é ‘Loura’, talvez por simpatia pelo diretor, já que, segundo ele, o novo filme de Carlos Reichenbach foi recebido com um sorriso falso na abertura do Festival de Melhores do CineSesc. Não é nada disso, Daniel. Até já falei um pouco sobre o filme, logo depois de o assistir, mas se falo da minha conversa de cinéfilo com Reichenbach é porque esse é o tipo de material que eu não vou poder colocar no meu texto de sexta-feira no ‘Caderno 2’, quando o filme estiver estreando na cidade. Meu editor às vezes me acusa de furar o próprio ‘Caderno 2’ com o blog e, por isso, eu evito antecipar muitas coisas que sairão no ‘Caderno’. Entendo o sorriso falso, porque ‘Falsa Loura’ trabalha num registro muito arriscado, equilibrando-se entre a breguice e a densidade. Não é uma novidade na obra de Reichenbach, claro, mas tenho para mim – posso até estar solitário nesta – que a ‘Loura’ é o filme em que ele acerta o tom, após o que, também para mim – tem gente que adora -, foram os desastres de ‘Garotas do ABC’ e, principalmente, ‘Bens Confiscados’. Será que eu estou na contramão, na valorização do cinema de Reichenbach? Conversei com ele ontem, francamente, sobre isso e espero que a entrevista de sexta faça justiça ao belo filme que ele dirigiu. Estou, mais do que nunca, com vontade de ver ‘Cleópatra’, de Júlio Bressane, para confirmar se Alessandra Negrini segura o prêmio de melhor atriz que recebeu no Festival de Brasília. Tenho minhas dúvidas de que ela consiga ser melhor do que Rosanne Mulholland, que faz a loura, mas, enfim, se há uma coisa que eu adoro é ser surpreendido. Quanto ao Simon, o cinema a que vivo me referindo, em Porto alegre, chamava-sde Rival, sim. Ficava na Rua 24 de Outubro, perto da casa de minha infância, na Mata Bacelar, nº 176. O Ritz ficava na Protásio, lá em cima, perto de onde eu também morei, mais tarde, na Rua Carazinho (e não vou dar o número para não correr o risco de molestar gente que é muito querida e ainda mora lá). Aliás, é com tristeza que constato isso, quando vou a Porto Alegre. Todos os cinemas que freqüentava – Astor, Rival, Colombo, Ópera, Imperial, Rex, Cacique etc – fecharam. Alguns foram demolidos, outros estão lá, fechados e deteriorando. Menos mal que pelo menos um desses cinemas -o Capitólio, que não citei – tenha sido restaurado para abrigar a Cinemateca Gaúcha, que eu espero que comece a funcionar logo. Aliás, o que falta para isso?