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Cultura » Um centenário (e um mês)

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Luiz Carlos Merten

23 Agosto 2007 | 16h13

Depois de uma semana em Israel e outra em Gramado, cheguei no jornal e minha mesa estava tomada pela correspondência. Só agora abri um envelope da TCM Classic Hollywood, que pensei que fosse relativo à programação dos 30 anos de morte do Elvis Presley, não 40, como escrevi num post anterior, mas na realidade era sobre outra programação levada ao ar em julho, no dia 16, em comemoração ao centenário de nascimento de Ruby Catherine Stevens. Quem é esta, você deve estar se perguntando?. Pois foi com o pseudônimo de Barbara Stanwyck que ela virou uma das grandes da tela (e um ícone do filme noir). Além de um documentário – Barbara Stanwyck: Fogo e Desejo –, narrado por Sally Field, com cenas de seus grandes filmes, o canal da TV paga exibiu naquele dia uma maratona formada por Indiscrição, Náufragos do Titanic, Vida contra Vida, Só a Mulher Peca, Um Homem e Dez Destinos e Mundos Opostos. Confesso que, desses todos, apenas Só a Mulher Peca (Clash by Night, de Fritz Lang) e Um Homem e Dez Destinos (Executive Suite, de Robert Wise)me mobilizam, e olhem que nem sou o maior fã de Bob Wise, o mais eclético dos diretores de Hollywood nos anos 50 e 60 – fez tudo, do melodrama ao musical e ao western, com uma preferência pela ficção científica. Preferiria ver o centenário de BS ser comemorado por meio de outros filmes – Mãe Redentora (Stella Dallas), de King Vidor, Bola de Fogo, de Howard Hawks, e Pacto de Sangue, de Billy Wilder, mas esse você mesmo pode (re)ver em DVD, no belo lançamento da Versátil. Estou postando este texto mais de um mês depois – esse cara é louco, vocês devem estar pensando –, só para dizer que, a par de todos os títulos citados, há um filme de BS que eu sou louco para assistir. Nunca vi Almas em Fúria (The Furies), que pertence à série de westerns de Anthony Mann nos anos 50. Sou louco por westerns – e por Anthony Mann –, mas nunca vi essa transposição de Electra para o Velho Oeste, sobre a relação entre uma mulher dominadora e seu pai rancheiro. Assim como Hitchcock descobriu Freud e o incorporou a seus filmes de suspense nos anos 40, Mann fez os westerns mais psicanalíticos dos anos 50. Adoro Winchester 73, O Preço de Um Homem (The Naked Spur), Um Certo Capitão Lockhart e O Homem do Oeste, mas tenho de confessar que meu Mann favorito não é um western, mas o épico El Cid, que ele realizou na Espanha, nos anos 60 e para fantasiar eu gosto de prensar que foi o tributo dele à terra de sua mulher, Sara Montiel, com quem foi casado. Comecei com Barbara Stanwyck, fui para Anthony Mann e cheguei a la Montiel. Que viagem!