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Luiz Carlos Merten

29 Novembro 2007 | 11h51

Falei num texto anterior sobre sexo no cinema, alguém postou um comentário evocando ‘Último Tango em Paris’, o que me traz de novo a Bertolucci, para lembrar que, no começo dos anos 70, não foi só a ditadura militar brasileira que se assustou com a cena da manteiga. No Brasil da época, muitos de vocês nem eram nascidos, mas em Porto Alegre programavam-se excursões para assistir ao filme, que havia sido liberado no vizinho Uruguai. Como ‘O Amante de Lady Chatterley’, que só foi liberado na Inglaterra nos anos 60, mais de 30 anos depois de ter sido escrito por D.H. Lawrence, ‘Último Tango’ também sofreu a acusação de obscenidade. Fui procurar nos arquivos do ‘Estado’ e encontrei uma reportagem de 1976, dia 5 de fevereiro, procedente de Roma, dizendo que as cópias do filme haviam sido inceradas no dia anterior, por uma decisão inapelável do Tribunal Superior de Justiça da Itália, que considerou a obra de Bertolucci perniciosa. Apenas três cópias foram salvas e depositadas na Cinemateca Nacional Italiana para documentar ‘a evolução técnica e artística da cinematografia no país’. Em 1976, a Itália estava em guerra contra o terrorismno e a Máfia, mas – incrível! – o sexo parecia mais assustador do que a violência.