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Turbulência e Guillermo Del Toro

Luiz Carlos Merten

18 Julho 2010 | 10h17

Olá! Cá estou de volta ao Brasil depois de… Quantos? Quatro dias em Budapeste. Fui visitar o set de ‘The Rite’, entrevistar Alice Braga e Sir Anthony Hopkins, que foi para mim uma surpresa. Não que não o admirasse como ator. Quando é bom, ele é ótimo, maravilhoso, embora, para dizer a verdade, não tenha meias medidas e quando é ruim é logo péssimo, para mostrar quanto o filme o está desinteressando. Alice é aquele encanto de sempre, ‘Tony’ como ele gosta de ser chamado (pelos amigos), estava relaxado, super falante. É curioso como é a vida. Deveria ter visitado Budapeste quando Walter Carvalho lá filmou sua adaptação do livro de Chico Buarque, mas minha visita ficou para o fim da rodagem, houve uma greve da Lutfthansa e terminei perdendo a data. Estava escrito que deveria pisar, a trabalho, na Hungria e visitar o estúdio em que ‘The Rite’ está sendo concluído, depois de três meses de intensa movimentação. A produção começou em Roma e depois se transferiu para Budapeste, onde foram construídos os interiores supostamente ambientados na capital italiana. O filme é sobre exorcismo, mas foge ao comum justamente por mostrar como um jovem padre se prepara (com Hopkins) para ser um exorcista, segundo os ritos da Igreja Católica. O filme é produzido pelo mesmo caro de ‘O Exorcismo de Emily Rose’, que acho bem impressionante, mas tudo isso será assunto para mais tarde. Ontem, no trecho Budapeste/Frankfurt, vivi momentos mais assustadores do que o filme talvez venha a ser. Estava, na Hungria, um calor de 40 graus, sol de rachar. No aeroporto, fiquei sabendo que o voo estava atrasado por mau tempo, na Áustria. Peguei o tal voo com quase duas horas de atraso, sem, chance de conexão para São Paulo, mas houve um atraso e consegui embarcar (e por isso estou aqui). Mas, durante o voo de Budapeste,  a tempestade prosseguia sobre a Áustria e nunca peguei tanta turbulência. Ocorreu aquela coisa horrível. O avião se inclinou para um lado, para outro e despencou na vertical, sei lá quantos metros, mas um bom susto. Ninguém se machucou porque, seguindo indicações de que haveria forte turbulência, estávamos todos muito bem amarrados nos cintos de segurança. Enfim, havia comprado no aeroporto e comecei a ler avidamente ‘The Strain’, início de uma trilogia que Guillermo Del Toro está criando com Chuck Hogan. Gostaria muito que ele próprio fizesse a adaptação, porque é impressionante e funde elementos míticos e realistas, como ‘O Labirinto de Pan’. O começo era ideal para ler durante um voo. Chega este avião da Alemanha (Lufthansa) ao aeroporto JFK, em Nova York. O avião taxia na pista, para e tudo se apaga. Nenhum contato de bordo. Uma equipe entra no avião e os passageiros estao todos mortos – bem, nem todos, como se descobre depois. As pessoas não apresentam nenhum sinal de violência, de crispação ou dor. Um infectologista começa a investigar o caso, mas as conexões já estão armadas. Um velho judeu,  dono de uma casa de penhores em Nova York, que sobreviveu ao holocausto – remember ‘O Homem do Prego’, o melhor Sidney Lumet, com Rod Steiger – guarda a história qe a avó lhe contou, quando menino, sobre essa entidade mítica da Romênia que devorou os membros de uma família inteira. Ele esperava por essa tragédia, que agora descobre na TV. E há este bilionário que também sabia que isso ia ocorrer e esperava este voo fantasma. Quem será ele? O próprio Leviatã romeno? Para complicar, está ocorrendo um eclipse, o primeiro em 400 anos, que deixa Manhattan na penumbra. Não consigo parar de ler – e espero que alguma editora brasileira publique o livro, se é que já não o fez  (ou está fazendo). Preciso parar de ler para sair e tratar da vida. Tenho de ver alguma coisa hoje dos dois festivais, o Latino-Americano e a Mostra Audiovisual Israelense, que estão terminando (ambos) neste domingo. Espero que vocês tenham visto ‘Ajami’ e  ‘Phobidilia’, cujos diretores, os irmãos Paz, participaram ontem de um debate com Kiko Goifman para falar de fobias no mundo moderno. O que vou conseguir ver hoje desses festivais? O que vocês já viram para me sugerir? Daqui a pouco, quando der, eu volto.