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Luiz Carlos Merten

14 Maio 2011 | 05h29

CANNES – Tenho visto filmes bons, interessantes, algumas decepcoes, eh verdade, mas nenhum coup de coeur, como dizem os franceses. Gostei muito de Tilda Swinton no filme de Lynne Ramsay, `We Have To Talk about Kevin`, muito de Michel Piccoli em `Habemus Papam`, de Nanni Moretti, nem tanto da emo freak love story de Gus Vant, `Restless`, onde o diretor, mais uma vez, me dah a impressaoh de querer forjar um cult a qualquer preco. E confesso que, com todo respeito pela viadagem alheia, me cansam um pouco os estilosos meninhos de Gus. Ateh nisso ele era melhor nos temopos de Matt Dillon (`Drugstore Cowboy`) e River Phoenix e Keanu Reeves (`My Own Private Idaho`). Em compensacaoh, fiquei doido pelo filme argentino `Las Acacias`, que acabo de ver. Um motorista sai do Paraguai e dah carona a uma mulher, que viaja com a filha, ainda bebeh, para Buenos Aires. A garotinha naoh tem pai, ele tem um filho que naoh veh hah oito anos. Naoh acontece nada durante a viagem. Mas nada, voces sabem, muitas vezes, senaoh sempre, quer dizer tudo. O bebeh sorri para o cara, ele comeca a brincar com a crianca, aproveitando o fato de a maeh estar dormindo. Eh tudo muito contido, rigoroso. Pablo Giorgelli eh o diretor. Fez, no estrito senso da mise-en-scene, um dos filmes mais realizados deste festival, ateh agora – ele e o israelense Joseph Cedar, cujo `Footenote` desconcertou a maioria dos coleguinhas brasileiros. Uma rivalidade entre pai e filho, ambos intelectuais, um premio que um recebe gracas a um malentendido, porque se destinava ao outro. A maneira como o naoh agraciado de fato descobre a manobra e como, no fundo, se sente vencedor de direito. Puta filme terrivel. E os atores! Disso naoh posso reclamar aqui em Cannes. Estaoh sendo todos formidaveis, ateh o bebeh de `Las Acacias`.