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Tudo conforme o previsto

Luiz Carlos Merten

23 Fevereiro 2009 | 02h10

Mentiria se dissesse que não gosto mais de ‘O Curioso Caso de Benjamin Button’, mas nunca duvidei de que ‘Quem Quer Ser Um Milionário?’ – com interrogação no final – fosse ser o grande vencedor do Oscar deste ano. Foram oito prêmios, incluindo melhor filme e diretor, Danny Boyle. A própria entrada de Steven Spielberg no palco do Kodak Theatre sacramentou a vitória final, antes que ela ocorresse. Spielberg está se associando aos indianos. Hollywood chegou a Hollywood. mas confesso que o prêmio de melhor filme me emocionou mais do que achei que pudesse ocorrer. Gosto do filme de Danny Boyle, mas a emoção ficou por conta da escolha de meu editor, que vocês poderão ver na capa de hoje do ‘Caderno 2’. A foto escolhida por ele mostra amigos e familiares do elenco de Mumbay assistindo em Bombaim, numa TV coletiva, no meio da rua, à vitória do filme. São os aspectos, digamos, positivos da globalização.Quero, de qualquer maneira, registrar uma sensação que tive. Na nova repaginação da cerimônia, o prêmio de direção, tradicionalmente o penúltimo, antes do de melhor filme, agora veio antes de melhor atriz e ator. Terá sido mera coincidência ou estamos de volta à Hollywood da era de ouro dos grandes estúdios, em que os astros e estrelas eram mais importantes do que os ‘autores’? Torcia por Kate Winslet e achava que ela ia ganhar, por ‘O Leitor’. Podia não torcer por Sean Penn, mas ele é ótimo e eu achava que ia ganhar, por ‘Milk’. Ele não só ganhou como fez aquele discurso politicamente correto defendendo o casamento gay. Anita Bryant, se morta está, deve ter revirado na tumba.