Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Trotsky, o assassinato (1)

Cultura

Luiz Carlos Merten

28 Novembro 2009 | 10h51

Mauro Brider – foste tu, não? – me oede que fale wsobre ‘O Assassinato de Trotsky’, que Joseph Losey realizou em 1972, com Richard Burton no papel do político (ideólogo?) e Alain Delon no de seu assassino. Losey havia recém recebido, um ano antes, sua Palma de Ouro por ‘O Mensageiro do Amor’ (The Go-Between) e no ano seguinte faria sua ‘Casa de Bonecas’, baseado em Ibsen, com Jane Fonda no papel de Nora. A rigor, eram os anos da consagração do autor, que vivera os anos 1950 exilado, muitas vezes tendo de se esconder sob pseudônimos (Andrea Forzano) para pode trabalhar. Nos 60, ele foi descoberto – na França – e virou objeto de um culto. Lembro-me de que Jefferson Barros, grande crítico gaucho, o amava e Enéas de Souza faz da sua análise de ‘Entrevista com a Morte’, ‘Armadilha a Sangue Frio’ e ‘Eva’ um dos pontos altos entre ios ensaios que compõem ‘Trajetórias do Cinema Moderno’. Já falei várias vezes sobre esse livro que é referência fortíssima, pelo menos para mim, e teve reedição mais ou menos recente, pela Prefeitura de Porto Alegre, dentro da série ‘Escritos de Cinema’, no volume que resgata a produção intelectual de Enéas. ‘Eva’ foi lançado nos cinemas numa versão espúria, condenada pelo diretor. Os produtores, os irmãos Robert e Raymond Hakim, remontaram a obra-prima de Losey e nem o apoio de Jeanne Moreau, em sua fase mais ‘estrela’, ajudou a salvaguardar a versão do autor. Mas eu amo ‘Eva’, um dos filmes cults da minha vida, retalhado e com sua estrutura adulterada, como havia ocorrido, quase ao mesmo tempo, com o ‘Leopardo’, de Luchino Visconti, remontado pela distribuidora Fox, antes de ser restaurado como grande diretor sonhava. Muita gente acha que o melhor Losey começa com ‘O Criado’, prossegue com ‘Estranho Acidente’ e desemboca em ‘O Mensageiro’, mas eu tenho outra linha de preferência e ela vai de ‘Eva’ a ‘M. Klein’, passando por ‘Cerimônia Secreta’. Foi o primeiro encontro de Losey com o casal Burton/Taylor e Liz está fantástica, embora nã mais do que Mia Farrow. Vieram depois ‘Boom!’ (O Estranho Que Veio de Longe), Burton/Taylor, adaptad de Tennessee Williams (‘The Milk Train Doesn’t Stop Here Anymore’), e ‘Trotsky’, Burton e Delon, com quem ele faria ‘M. Klein’. Lembro-me que ‘Trotsky’ foi recebido com pedradas, ou terá sido só estranhamento? Na época, pouca gente entendia porque Losey quis fazer aquele filme sobre a complexa relação entre o grande homem e seu algoz. Não me lembro de outra pessoa que tenha tentado entender, ou explicar, ‘O Assassinato de Trotsky’, a não ser o Jefferson. A maioria, e eu me incluo, arranhava a superfície do filme. Mal o compreendíamos. Comprei, muito mais tarde, uma coletânea de escritos de Losey, ‘L’Oeil du Maitre’, O Olho do Mestre, organizada por Michel Ciment para o Institut Lumière, na coleção Actes du Sud. O post está ficando enorme. Vou quebrar aqui e continuo em seguida.