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Luiz Carlos Merten

20 Setembro 2011 | 18h50

E o Brasil mais uma vez vai tentar a indicação para o Oscar. Uma comissão formada por um monte de gente que não conheço – havia crítico? Acho que não – escolheu ‘Tropa de Elite 2’ como candidato brasileiro à indicação. No domingo anterior, não este, entrevistei Wagner Moura e ele comentou que Neill Blomkamp o escolheu para ser o vilão de ‘Elyseum’ por causa do Coronel Nascimento. O filme de José Padilha, segundo Wagner/Blomkamp, é político e pop. Bacana. Há um culto a ‘Tropa 2’ entre jovens realizadores,  o próprio Padilha está com o pé em Hollywood para fazer a sequência de ‘RoboCop’ e tudo isso pode ajudar a alavancar a candidatura do filme, mas o retrospecto dos últimos vencedores da categoria não anima muito a expectativa. O cinema brasileiro tem uma tradição de candidatar filmes violentos para o Oscar e eles batem na intransigência dos chamados ‘velhinhos’ da academia, mesmo que o colegiado de votantes esteja mudando. O perfil dos indicados, e dos vencedores, do Oscar de filme estrangeiro é muito mais de filmes humanistas, intimistas etc. Não sei se vai impressionar o fato de ‘Tropa 2’ ser o maior sucesso de público da história do cinema no País. Não sei também o que Padilha e Marco Aurélio Marcondes planejam para dar projeção a ‘Tropa 2’ junto aos votantes da academia. No Brasil, eles fizeram uma campanha 100% vitoriosa para que o filme atingisse seu público estratosférico. O Oscar é diferente, mas… Quem sabe? Não creio que a comissão que selecionou Padilha pudesse ter feito outra escolha. A sorte está lançada – de novo. Mas uma vista d’olhos entre outros indicados idsentifica pesos pesados. ‘Le Havre’, de Aki Kaurismaki, que Robert De Niro queria ter premiado com a Palma de Ouro; ‘Pina’, de Wim Wenders; ‘O Cavalo de Turim’, de Béla Tarr. etc. Por mim esses três jás estavam indicados e o ‘Tropa’, também, mas o suspense vai longe e teremos ainda um bom tempo até identificar as reais chances do concorrente brasileiro. Já que o Wagner começa a dar as caras em Hollywood, o negócio é ir fundo na promoção de ‘Tropa 2’. Só espero que o treio Wagner/Padilha/Marcondes não seja blasé como aquelas produtora que erncontrei em Gramado. Gostei do filme dela, mas observei que achava difícil de vender e ela me fez uma cara de nojo, dizendo que faz filmes, não os vende. Seria bom se vendesse e, por uma vez, não ficasse atada às leis de patrocínio que desobrigam filmes e produtores de faturar. ‘Vender’, no caso, era modo de dizer, e eu não estava sugerindo que se prostituísse. Enfim, estou me desviando do assunto. Vai lá, Padilha…