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Cultura » Trocar a válvula?

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Luiz Carlos Merten

29 Outubro 2009 | 18h50

Passei a manhã e o início da tarde fazendo entrevistas e produzindo textos para a edição de amanhã do ‘Caderno 2’. Afinal, a Mostra não interrompe os lançamentos regulares e o mercado está aquecido. Só para terem uma ideia – além de todas as entrevistas que tenho feito, ainda vou encarar neste fim de semana a dupla de ‘Lua Nova’, que vem lançar o filme preferido de 11 entre dez teens (as garotas de todos os sexos são loucas por Robert Pattinson e eu li uma coisa, em algum lugar, em que ele diz uma coisa sensata. ‘É um mundo muito louco, esse em que a gente vai dormir anônimo e acorda celebridade’). Ele próprio não vem e as tietes vão ter de se contentar com o lobisomem, cuja participação parece ser maior que a dele no segundo filme da série. Lamento muito por não ter postado antes, chamando a atenção para ‘Seguindo em Frente’, de Hirokazu Kore-eda, que passou às 14 horas, mas vocês ainda têm tempo para tentar ver ‘Polícia, Adjetivo’, de Corneliu Porumboiu, que passa às 19h30 (numa das salas do Arteplex). Para evitar sobressaltos amanhã – talvez tenha de ir a Porto Alegre -, teremos ‘Os Famosos e os Duendes da Morte’, de Esmir Filho, do qual não gosto muito, mas o filme é certamente interessante como retrato geracional. Aliás, vou transcrever aqui uma opinião que pode surpreendê-los. Ao escrever ‘retrato geracional’, estou pensando nos jovens da geração internet, pois Esmir Filho, com o Redentor na mão – que recebeu pelo melhor filme da Première Brasil, no Festival do Rio -, me disse que havia feito ‘Os Famosos’ sobre jovens para jovens, mas minha amiga Margarida Oliveira, que tem idade para ser mãe dos garotos e garotas na tela, se encantou e até chorou na cena em que o herói dança com a mãe. Essa coisa de se emocionar é muito pessoal. Falei maravilhas, aqui e no jornal, de ‘A 40ª Porta’, que muito me encantou. Meu colega Ubiratan Brasil, o Bira, de tanto me ouvir elogiar o filme foi conferir (e gostou). Na saída, encontrou Orlando Margarido (maldito!), que não deve ter gostado tanto, pois disse que tenho de trocar minha válvula (e acrescentou para o Bira – ‘Ele (o Merten) anda se emocionando demais’) Brinco com o Orlando. É gente finíssima. Em Berlim, em fevereiro, fizemos juntos a entrevista com Theo Angelopoulos. Aliás, Theo está aqui e tive de desistir de encontrá-lo porque tinha matérias para redigir na hora marcada. Bira foi lá, me substituiu (muito bem) e adorou o Theo (Deus, em grego). A entrevista está no ‘Caderno 2’ de hoje, com o sugestivo título ‘A eternidade de um dia com Theo Angelopoulos’.