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Luiz Carlos Merten

10 Dezembro 2008 | 15h21

Tinha minhas dúvidas sobre como ‘Cahiers du Cinéma’ iria reagir a vitória de Laurent Cantet e tinha mesmo curiosidade de saber como a revista trataria o lançamente de ‘Entre les Murs’ (e não ‘Contre les Murs’, como coloquei no post anterior) – e não que isso, como o Oscar, fosse me tirar o sono. Felizmente me chegou este número de setembro. ‘Cahiers’, que já havia sido reticente em relação ao seu queridinho Philippe Garrel – sensatamente, aliás, pois ‘A Fronteira da Alvorada’ é filme de crítico no pior sentido do termo; Maria do Rosário Caetano não conta porque ela, como tiete de Louis Garrel, deve ter visto outro filme, só dela (brincadeirinha…) -, rendeu-se a Cantet e esta é uma novidade e tanto. A revista também presta uma extensa homenagem ao diretor egípcio Youssef Chahine e traz duas ou três coisas sobre as quais me sinto obrigado a falar. Um texto de Bill Khron, sob o título ‘O Cinema Norte-Americano Diante da Atualidade’, analisa a recente onda de filmes sobre o Iraque, incluindo ‘No Vale das Sombras’, de Paul Haggis, e ‘Stop Loss’, de Kimberly Pierce, que acaba de ser lançado em DVD, mas confesso que me surpreendeu a existência de um novo filme (de 2004) do meu querido Joe Dante, sobre o qual nunca tinha ouvido falar – ‘Homecoming’. Na sessão de necrológios, ‘Cahiers’ dedica um verbetezinho respeitoso a Breno Mello, o Orfeu de Marcel Camus, e outro que me deixou em choque. Bernie Mac morreu? Em agosto, do coração, aos 49 anos? Juro que não sabia ou não me lembrava, e havia visto o nome do cara, ontem, nos créditos de ‘Madagascar 2’, como um dos dubladores originais… ‘Cahiers’ também resgata, com uma extensa crítica elogiosa, ‘The Effects of Gamma Rays on Man-in-the-Moon Marigolds’, que Paul Newman realizou em 1973 para a interpretação de sua mulher, Joanne Woodward (no Brasil, chamou-se ‘O Preço da Solidão’ e até onde me lembro é um filme muito bom, embora eu continue preferindo outro trabalho de Newman como diretor, o primeiro, ‘Rachel Rachel’, de 1968, também com e para Joanne).Vejam como são as coisas. Cheguei hoje da cabine de ‘Carga Explosiva 3’, abri meus e-mails e encontrei um comentário de Maurício Mignone para o post sobre a morte de Dulce Damasceno de Brito. Pelo que deduzi, Dulce, em sua última coluna na revista ‘Set’, escreveu sobre a morte de Paul Newman. Maurício pinça uma frase do texto – ‘Os deuses de Hollywood estão sendo vencidos pela morte’ – e a aplica à própria Dulce, que amava todos aqueles ídolos de um cinema norte-americano mítico com que ela sonhava (e que conheceu). Imagino que ‘Cahiers’ também tenha prestado seus respeitos a Paul Newman, um ator e diretor que fazia diferença.