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Luiz Carlos Merten

21 Maio 2011 | 19h05

CANNES – Estava tentando me lembrar quandoi vi Jack Nicholson chorar. Talvez naquele noir em que ele fica obcecado para vingar a morte da filha. Vi hoje Jack Nicholson chorar, e no papel de… Jack Nicholson. Foi no documentário ‘Corman’s World: Exploits of a Hollywood Rebel’, de Alex Stapleton, no Cinema na Praia. Todo ano Cannes desenvolve uma programação gratuita, exibindo filmes selecionados – muitas reprises, emn cópias restauradas – na praia pública da Croisette. Não perderia por nada o documentário sobre Corman, que dura um pouco mais de duas horas. Vários amigos e colaboradores dão seu depoimentos. Jack Nicholson começa a falar e anuncia – ‘Vou chorar’. Ele cobre o rosto com as mãos. Diz que não está querendo ser sentimental, mas ama, e não apenas ele, o produtor e diretor que, no título, é citado como ‘o’ rebelde de Hollywood. Corman fez a ligação entre ‘o que eu era e o que queria ser’, diz Nicholson. Ron Howard e Jonathan Demme, discursando quando ele recebeu seu Oscar honorário, agradecem por suas carreiras, que Corman apadrinhou. Quentin Tarantino vai além – agradece a Corman em nome dos cinéfilos de todo o mundo, pelos momentos que ele nos proporcionou no cinema. Já disse que, em Paris, a caminho de Cannes, assisti a ‘Bloody Mamma’. Puta filme bom. É o ‘meu’ Corman. Não consegui identificar quem faz uma análise bem bacana. O fulano em questão diz que Corman foi a perfeita encarnação do sonho americano. Arriscou muito, sempre, e ganhou na maioria das vezes. Quando não ganhava, se reinventava. É o conselho que Corman dá aos jovens cineastas do mundo. Arrisquem, não tenham medo de arriscar. Foi um puta personagem. Hollywood não seria a mesma sem a chan ce que ele deu a tantos talentos.