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Três foi demais

Luiz Carlos Merten

15 Outubro 2012 | 11h42

Depois de fazer o material do dia na redação do ‘Estado’, saí ontem para uma tripla jornada de cinema. Descobri que a Galeria Olido exibia um ciclo em homenagem ao diretor francês Jean Rollin. Jean quem? Confesso que não tinha registro do cara, mas ele era vendido como um mestre do fantástico. Pergunto-me o que Carlos Reichenbach teria achado desse tal de Rollin? Eu achei o ó. Cinema de gênero da pior qualidade, uma fantasioa de horror (‘A Morta Viva’) com lampejos de erorismo – no limite, é uma love story lésbica, sobre mulher que atrai vítimas para satisfazer a sede de sangue de sua amada, que ressuscitou dos mortos graças a uma fumaça tóxica. A coisa mais original do filme é justamente esse detalhe, que talvez tenha inspirado Dan O’Bannon, quando ele fez seu ótimo ‘A Volta dos Mortos Vivos’ em 1985 (“La Morte Vivante é de 1982). Ainda meio atordoado ppelo colorido chamativo e vulgar do filme de Rollin, com aquele sangue vermelho que não para de (es)correr, corri ao Páteo Higienópolis para ver ‘Busca Implacável 2’, de Olivier Megaton, com Liam Neeson, e emendei com ‘Looper’, de Rian Johnson, com Joseph Gordon-Levitt e Bruce Willis, que vi dublado no PlayArte Marabá. Foi o que salvou minha viagem de ontem pelo cinema de gêneros. Gostei, mesmo achando que Johnson conta muitas histórias num filme só, mas antes o excesso dele do que a indigência do Rollin, que me deixou consternado. O público não concordou muito comigo, porque na saída houve protestos de gente que reclamava dessa mania de fazerem (Hollywood?) ‘filmes que a gente não entende’. ‘Looper’ trata de viagem no tempo e Bruce Willis vem do futuro para ser morto por sua versão jovem, Gordon-Levitt. Para evitar que isso ocorra – e também que sua mulher morra em 2044 -, Willis, qual um exterminador do futuro, busca uma criança que será líder da humanidade para matá-la. Gordon-Levitt passa a defender essa criança, para isso enfrentando seu lado futuro (e sombrio) e esse não é o menor dos conflitos do filme, que deve ter desconcertado o público do Marabá menos pelos choques de tempo, emhora a narrativa seja linear, do que pela circuinstância de mostrar um herói tradicional – o duro de matar Bruce Willis – na pele de bad guy. Uma palavra sobre Gordon-Levitt. O Robin de Christopher Nolan, no último ‘Batman’, colocou uma prótese no nariz para ficar parecido com Willis e isso o deixou, até certo ponto, irreconhecível. Gostei.