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Luiz Carlos Merten

06 Setembro 2008 | 10h54

Tive ontem um dia danado. Estava sentindo dores lombares, mas, depois de passar na redação para fazer os filmes na TV de sábado, corri para o Arteplex para assistir a ‘Funny Games’, Violência Gratuita, a versão EUA. Esse Michael Haneke é outro que não engulo, de jeito nenhum. Alguns de seus filmes me parecem mais palatáveis, mas o enigma de ‘Caché’ – o encontro final da garota com o filho do homem que se matou – é coisa que não me tira o sono. Não tinha gostado do original e gostei menos ainda do remake ‘clonado’ que Haneke fez de seu filme nos EUA. Aliás, vou ter de procurar na internet alguma entrevista do diretor para descobrir porque ele quis fazer seu filme exatamente igual, quer dizer, com pequeníssimas variações. Como me observou o Alessandro Giannini no final, no primeiro filme ele mostrava um a um os assassinatos dos integrantes da família. Aqui, desvia a câmera na hora na hora dos tiros, facadas etc. Mas eu li no material distribuído pela distribuidora Califórnia, olhem a doideira, que a casa invadida pela dupla de assassinos é reprodução exata da anterior, inclusive com os mesmos objetos de cena. Detestei o filme, e fiquei particularmente com a ‘facilidade’ do recurso de acionar o controle remoto para fazer o relato voltar e, se esta é a maneira de Haneke criticar a linguagem’, obrigado, mas estou fora. Só gostei do elenco. Naomi Watts e Tim Roth são magníficos e o Michael Pitt tem um papel perfeito para a frieza e antipatia que sempre me transmitiu nos filmes de Gus Van Sant e Barbet Schroeder. O curioso é que travei, e não apenas falando metaforicamente. O filme me travou, emocionalmente – foi uma de minhas experiênciais mais aflitivas no cinema; ‘Um Crime Americano’ foi refresco -, mas travei também fisicamente. Não conseguia me levantar da poltrona, de dor. Fui à emergência do 9 de Julho -m estava perto -, tomei um chá de banco de espera e quando fui atendido, me sentindo pior, o médico me deu um relaxante muscular, não pediu exame nenhum e eu agora não sei o que tive/tenho, porque ainda dói, embora numa escala de zero a dez, como me perguntou a médica na pré-consulta, eu devesse dizer que hoje está 8 (em relação ao pico de ontem). À noite fui jantar com amigos num japonês e digamos que não ajudou muito sentar numa mesa baixa (mesmo que fosse uma daquelas com buraco para as pernas, ou seja, um falso tatame). Estou em casa, postando. Raramente faço isso. Prefiro postar no jornal, ou na rua. Tanta coisa para comentar. O ciclo Resnais no Centro Cultural Banco do Brasil. Não percam, especialmente os ‘meus’ favoritos – ‘Hiroshima, Meu Amor’ e ‘Providence’. Quero rever também ‘Stavisky’ porque na minha cabeça, quando penso no filme, o que vem é um fragmento musical – e a música, tenho quase certeza, é de Stephen Sondheim. Engano-me?

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