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Luiz Carlos Merten

24 Novembro 2006 | 14h31

Pode um filme continuar tão novo e surpreendente hoje como na época em que foi feito, há 40 anos? Terra em Transe era um dos filmes que compunham a retrospectiva do cinema brasileiro em Tessalônica. Paula e Lucy Barreto foram apresentar o cult de Glauber Rocha para os gregos. Havia gente pelo ladrão, atraído pelo nome de Glauber, que é referência do Brasil em todo o mundo. No final, estava programada uma Q&A (sessão de pergunta e resposta, question & answer). Ninguém perguntou nada no final digo os que ficaram, porque muita gente foi saindo. Interpeladas depois, algumas confessaram não haver entendido nada! Acharam o filme muito dialogado e as legendas em grego ocuparam metade da imagem, o que significa que até a fotografia (excepcional do Dub Lutfi) terminou por perder-se. Relato isso porque me parece importante registrar como um filme ‘revolucionário’ do Glauber, tanto tempo depois, ainda permanece um enigma para tanta gente, em todo o mundo. Glauber viveu adiante da sua época, é certo. Fez filmes que nos desafiam – e alguns dos dos quais não gosto. O detalhe que me parece curioso é que outros críticos, que aparentemente gostam mais dele, gostam de Deus e o Diabo e Terra em Transe e eu, além desses dois, amo o Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, que é, confesso, o meu Glauber do coração, o preferido. Ou seja, estatisticamente acho que gosto mais que os tietes. O problema é que admito que não gosto de alguns filmes e isso faz toda a diferença.