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Luiz Carlos Merten

08 Julho 2007 | 18h56

Tive hoje um dia meio punk, sem tempo para postar. Só agora, já de noite, vim conferir os comentários. Gostei da polêmica sobre Os Matadores e Beto Brant. Não creio, como alguém já se referiu, que O Cheiro do Ralo, um lançamento perqueno que alcançou 150 mil espectadores possa ser considerado um fracasso. Não é mesmo! Mas continuo lamentando a baixa freqüência do público para Cão sem Dono. Tantos elogios da crítica e nada de público. Quando a gente elogia, a massa não vai. Quando fala mal os diretores nos responsabilizam pelo desempenho (em geral fraco) na bilheteria. Quer dizer que é assim – a gente tem direito de morte, mas não de vida? Uma crítica negativa destrói, mas uma positiva não ajuda? Sei que não é assim. É só um desabafo, mas, gente, eu às vezes também tenho a impressão de ver trailers de filmes, principalmente nacionais, feitos por quem odeia as obras e os diretores. Para pegar carona num filme que foi citado, não morri de amores por O Príncipe, mas pô, é um filme do Giorgetti, com a Bruna Lombardi, sobre São Paulo, o espaço físico, a memória da cidade. Achei o trailer um susto, um assusta-público de arrepiar. Além de não tornar o filme atraente o trailer prometia um sonífero de lascar. A inversa é verdadeira e vale lembrar. Lisbela e o Prisioneiro, de Guel Arraes, que eu adoro, começou a ser trabalhado um ano antes pela Fox. O filme não estava pronto e já tinha trailer nos cinemas, um bom trailer. Tudo bem, era Globo, era Fox, mas o que sustentou o filme foi o boca-a-boca, quando o público começou a ver. Se fosse porcaria não teria adiantado nem o trailer nem a mídia global. O público ia no primeiro fim de semana e o filme morria. Não foi o que ocorreu. Tenho a impressão de que alguns diretores nacionais se envergonham de fazer um trailer legal, porque acham que vai parecer comprometimento com o mercado, como se o filme deles fosse ser rebaixado à condição de um produto vendável, apenas. Não deve haver ofensa maior para um diretor de filme de arte. Divaguei demais, até porque a questão do cinema brasileiro no mercado do País é muito complexa e a gente poderia eleger só este tema para o blog. Teríamos assunto até… o infinito? Só para voltar ao Beto Brant, gosto muito de Os Matadores, já disse, e de Cão sem Dono, mas também acho Ação entre Amigos muito bem narrado. Posso até fazer outras objeções ao filme, mas não à capacidade de narrador do Beto. E eu gosto demais do Leonardo Villar no filme.