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Luiz Carlos Merten

07 Julho 2007 | 12h42

Alertado pelo comentário de vocês, fui ao Guia do Estado para conferir se Paris Vista por… ia mesmo passar. O post vocês já leram, mas agora acrescento outro, antecipando que, na terça, dia 10, começa no Centro Cultural São Paulo, na Sala Lima Barreto, um ciclo em homenagem a Antonio de Curtis-Gagliardi Griffo Focas. Antonio quem? Vamos simplificar – em homenagem a Totò, o lendário cômico do cinema italiano, morto em 1967, portanto, há 40 anos. A Ilustrada fez há pouco uma lista dos maiores cômicos de todos os tempos. Não li, mas pelo que me informaram deu Charles Chaplin na cabeça. Não sei se Totò ficou entre os dez, ou entre os cinco mais, mas merecia. Totò era aristocrata de nascimento, mas encarnou, no cinema, o italiano humilde, com aquele domínio cênico que lhe permitia atuar como uma marionete desarticulada diante da câmera. Sua expressão facial era inigualável. Quando ele suspirava e o próprio rosto parecia se desfazer, angelicalmente, o burlesco italiano tocava o trágico e o sublime, o que diretores como Monicelli e Steno, em dupla ou separadamente, e também De Sica, Lattuada, Pasolini e Rossellini perceberam em filmes que fazem parte da história. Aliás, no fim da fita Totò teve um problema de visão que o deixou quase cego, mas isso não diminuiu sua atividade e até acentuou a cara de anjo sofredor, que era sua marca (e que da qual ele tirava proveito). As pérolas do ciclo são, claro, Os Eternos Desconhecidos e Gaviões e Passarinhos, mas vale ver Totò Procura Casa, Totò le Moko e Totò, Peppino e la Dolce Vita, que praticam uma estética da paródia – ao neo-realismo, ao velho filme de Julien Duviver com Jean Gabin e ao Fellini de A Doce Vida – não muito diferente daquela que Oscarito e Grande Otelo exercitavam nas chanchadas da Atlântida.