Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Tomei canseira, mas valeu

Cultura

As informações e opinões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Cultura

Tomei canseira, mas valeu

Luiz Carlos Merten

26 Novembro 2009 | 19h28

Fui entrevistar hoje pela manhã Giuseppe Tornatore e o diretor de ‘Baarìa’ me deu a maior canseira, me fazendo esperar por uma hora. É verdade que cheguei no hotel muito cedo, no horário marcado pela assessoria. Como ele estava no Tívoli, na Alameda Santos, fui ler meu Simenon – o da vez é ‘Maigret e o Mendigo’ – ao sol, na praça ao lado, retornando uma hora mais tarde. Isso tumultuou minha vida, já que tinha muitas matérias na edição (de amanhã) do ‘Caderno 2’, mas aceitei, numa boa, por dois motivos. Uma que a matéria já estava diagramada; e outra que me interessei tanto por ‘Baarìa’ que estava querendo falar com o diretor. Lembrei-lhe que, em 1994, já nos havíamos encontrado, quando ele esteve no Brasil, em Campinas, participando de outra semana de cultura italiana. Depois, nos reencontramos em Berlim, no ano de ‘Malena’, com a sublime Monica Bellucci (é o filme em que ela está mais bonita). Tornatore já foi embora – regressava à Itália agora à tarde. Ou seja, não estará amamanhã no HSBC, onde começa a retrospectiva em sua homenagem, no quadro da 5ª Semana Pirelli do Cinema Italiano. Será exibido um duplo formado por ‘Cinema Paradiso’ e ‘Baarìa’. Apesar de suas diferenças óbvias, os dois filmes têm tudo a ver – tratam de tempo, cinema e mudanças na sociedade italiana. O próprio Tornatore me disse que ‘Cinema Paradiso’ poderia ser um fragmento de ‘Baarìa’, que ele insiste em definir como seu filme mais pessoal (e eu acredito). ‘Baarìa’ será distribuído no Brasil pela Paris Filmes, que promete o lançamento para fevereiro. Encontrei no hotel o Márcio Fracarolli, da distribuidora, que comentou comigo o extraordinário sucesso de ‘Lua Nova’. Achei uma m…, mas o filme de Chris Weitz fez, no primeiro fim de semana, fantásticos 1,5 milhão de espectadores, o que faz do segundo título da franquia ‘Crepúsculo’ o recorde do ano – com estimativa de chegar entre 4 e 5 milhões -, mas ainda assim abaixo do recorde histórico. A maior abertura, num único fim de semana, continua sendo a de ‘Homem Aranha 3’, com quase 2 milhões de espectadores. Mesmo assim, o sucesso de ‘Lua Nova’ é impressionante, ainda mais que se trata de produção independente, não de uma Major, como a Sony. Aliás, o conceito de ‘Lua Nova’ como indie não deixa de ser curioso, ou relativo, por mais que seja, mesmo. Já imaginaram? Um filme indie que entrou com 602 cópias…