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Todos os corações

Luiz Carlos Merten

12 Junho 2014 | 15h04

Estou na redação do Estado, terminando meu material de amanhã – e de domingo, e é bastante coisa – para ir ao Anhangabaú, a tempo de assistir a Brasil x Croácia. Meu amigo Dib Carneiro está no Itaquerão com os irmãos. Assisto consternado às manifestações contra a Copa. Hoje pela manhã, ainda em casa, lia o livro de memórias de Cacá Diegues – o lançamento será em julho – e ele lembrava os jogos da Copa de 1970, que acompanhou pela TV, no exílio. A ditadura se apossava das vitórias da seleção, parte da esquerda, indignada, pregava o boicote à Copa e eles (os exilados) lá, chorando e vibrando com Pelé, Tostão, Jairzinho, Rivelino. Sorry, mas já passou o tempo de protestar contra o modelo elitista de futebol da Fifa, contra as arenas que ela instituiu como modelos de estádios. O olho agora é no quatro-três-três, no quatro-quatro-dois e no cinco-três-dois, seja lá o que significa. A bola vai rolar. Toda confiança no pé do santo Fred. Confesso que, nos últimos dias, tenho circulado pela cidade, até pela periferia, em função de pautas. Encontrei não poucas ruas fechadas, em que os moradores penduravam bandeirinhas ou desenhavam bandeiras no chão. Nossa cidadania sempre se manifestou no e através do futebol. Foram sempre os momentos em que o brasileiro teve mais orgulho de ostentar a bandeira do Brasil, as cores pátrias, o verde/amarelo. Entendo a indignação – não sou burro nem insensível -, mas agora começa a torcida. Todos os corações. Num só coração. Vamos ter/ser?