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Luiz Carlos Merten

23 Janeiro 2012 | 08h22

Embarco daqui a pouco, no fim da manhã, para Belo Horizonte, com destino final em Tiradentes, onde começou na sexta a mostra de cinema. Perdi a programação dos três primeiros dias e lamento duplamente ter perdido a homenagem a Selton Mello, a quem entrevistei ontem por telefone para a matéria de hoje do ‘Caderno 2’. Uma, por causa dele, e já sei que o Selton se emocionou ao ver a homenagem do Canal Brasil, todos os seus filmes (e papeis) em perspectiva, que lhe deram a sensação definitiva de que, como ator e diretor, ele tem, sim, uma obra. A outra, pela própria pré-estreia de ‘BIlli Pig’, de José Eduardo Belmonte, que estou louco para ver, na expectativa de que o filme, na trilha de ‘O Palhaço’, confirme a terceira via para o cinema brasileiro. Mas teria sido desgastante ir a Tiradentes na sexta e voltar no sábado, pois ontem tinha de estar aqui. A Lua organizou uma festa surpresa para sua mãe, Leila Reis. 60 anos! Comemoramos entre amigos, com direito a discursos – depoimentos sobre a figura maravilhosa que ela é – e muita música, com direito as shows da Lua, que canta cada vez melhor, e da Wanderléia cover, porque a Leila sempre teve aquela ligação com a Jovem Guarda. Por favor! Senhor juiz, pare agora! Não me lembro desde quando conheço a Leila, mas com certeza foi desde a primeira hora no ‘Caderno 2’ de José Onofre, aonde ela entrou para fazer a cobertura de TV. Leila editou depois o ‘Telejornal’, foi presidente da APCA, a Associação Paulista dos Críticos de Artes, e eu fui seu sucessor na entidade que agora vive uma crise, o que muito me dói. Os rolos na área de música erudita, o esvaziamento do cinemam, com cada vez menos gente aparecendo na votação, tudo isso me entristece. Mas não é o tema do post. É a Leila. Fui poético. Disse que deveria estar em Tiradentes, debatendo, e defendendo, o futuro do cinema de autor no País, mas por uma vez o cinema, sorry, teria de esperar. Tudo pela amizade. Leila não é Leila Diniz – é melhor que ela! –,. mas eu gostaria de recorrer a uma imagem de cinema. ‘Todas as mulheres do mundo’. Numa só. Guerreira, amiga, mãe, mulheraça. Leila é mineira, mas não foi à toa que colocou na filha o nome de Ana Terra. Num certo sentido, é a mineira mais gaúcha que conheço. Como as mulheres de Erico Verissimo, paga um boi para não entrar na luta e uma boiada para não sair, depois que ela começou. E a Leila segura a onda de todos os amigos. Não sei se a gente tem tido a mesma generosidade em relação a ela. Com a Leila, pode-se contar, sempre. Se eu tivesse a afinação da Lua, gostaria de ter cantado uma pérola de Tom Jobim, presente no documentário de Nelson Pereira dos Santos. Se todos fossem iguais a você/Que maravilha viver viver… Bem-vinda ao clube dos sexagenários, Leila. E, olha, love, sempre, is in the air. Agora, sim, posso ir para Tiradentes. Me aguarda, Aurora.

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