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Todas as mulheres do mundo em Romy

Luiz Carlos Merten

29 Maio 2007 | 10h27

PARIS – Nestes 15 anos que venho a Paris, após o Festival de Cannes, nunca vi a cidade assim fria e chuvosa. Ontem fez aqui um feíssimo dia de inverno, o que me levou a me internar no cinema para ver um monte de filmes. Antes de falar deles, quero falar de Alain Delon. Vocês imaginam que, se Rocco e Seus Irmãos é meu filme cult, tenho de ter um carinho especial por Alain Delon. Ele está envelhecendo bem. Na semana passada, ewm Cannes, fez a montée des marches com umas mulher sensacional, mas muito jovem, com idade para ser sua filha (ou neta). As fotos foram parar em todos os jornais. Delon baixou a bola no domingo. Chamado a entregar o prêmio de melhor atriz, desta vez fez a montée des marches com a filha. Foi responsávedl, para mim, pelo momento mais bonito da festa de premiação do 60º Festival de Cannes. Delon enumerou as atrizes com quem trabalhou e perguntou(-se) – o que seria dele, como homem e artista, sem as mulheres? O que seria de todos nós? E então ele pediu licença para homenagear, numa só, todas as mulheres do mundo. Lembrou que, naquele dia, exatamente, completavam-se 25 anos da morte de Romy Schneider, Lamentei não saber alemão. Ele disse algumas palavras nesta língua, olhando para cima. Pode ter sido melodramático, mas Romy mereceu a homenagem. Tenho visto em livrarias e lojas de DVD muitos livros e lançamentos de filmes qque lembram Romy Schneider. Vi, na Fnac, um pedaço de César e Rosalie, que Claude Sautet fez com Yves Montand e ela, após o sucesso de As Coisas da Vida. Que filme mais bonito, meu Deus! Adoro Sautet – Vicente, Paulo, Francisco e os Outros é um filme sempre vivo na minha lembrança. E tem Max et le Ferrailleurs, cujo título em português eu acho que era Sublime Renúncia. Romy encarnava o próprio mistério da mulher no cinema de Sautet. A beleza, claro, mas também a humanidade, a inteligência. Não foi à toa que quase chorei no Palais. O velho Delon lembrando um amor da sua juventude – ‘o’ amor. Romy morreu em 1982. Não a vimos envelhecer na tela. Como Marilyn, James Dean, Elvis Presley, a imagem que o cinema imortaliza dela é a de uma mulher madura, mas ainda jovem. Uma mulher que, pelo próprio drama de sua vida, expressava como poucas o sofrimento e também a alegria, a felicidade, a sensualidade, a beleza. Vi uma entrevista de Sophie Marceau na TV. O apresentador lhe pediu uma frase sobre Romy. Ela disse que nunca viu ninguém mais sublime que Romy em A Piscina. Entraram as imagens do filme de Jacques Déray. Romy e Delon. Déray, como Henri Verneuil, era um daqueles diretores comerciais do cinema francês, nos anos 60 e 70. Os críticos não tinham muito apreço por ele. Era um gênio perto do que se faz hoje. A cena exibida era boa. Muito bem filmada. E Romy… Ela faz parte do meu imaginário, das minhas lembranças no cinema. Espero que faça parte das lembranças de vocês, também.

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