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Luiz Carlos Merten

12 Setembro 2006 | 13h56

Na sua correspondência de Veneza, comentando a apresentação de O Diabo Veste Prada no festival, Luiz Zanin Oricchio disse que teve saudade de Robert Altman. De minha parte, sempre que vejo um filme novo do Altman tenha saudade do Altman antigo, de como ele era bom. E, certamente, não tenho saudade de Prêt-à-Porter, que só tinha de bom a cena com Marcello Mastroianni e Sophia Loren em homenagem ao Vittorio De Sica de Ontem, Hoje e Amanhã.O Diabo Veste Prada teve sessão para a imprensa agora de manhã. Tem uma cena em que a poderosa Meryl Streep, que faz Miranda Priestley, a mulher que faz e desfaz tendências, explica à garota rebelde o que representa a moda em nossa vida cotidiana (e na econonimia). O macro e o micro se tocam num diálogo muito bem escrito pela roteirista Aline Brosh McKenna. Poderia ser bem escrito (e bem observado), mas não seria efetivo se não fosse dito por Meryl com classe superior. Ela precisa apenas de um elevar de sobrancelha ou de uma contração labial para reduzir qualquer pessoa à sua insignificância. Ainda é cedo para pensar no Oscar de 2007, mas Meryl Streep leva jeito de, mais uma vez, chegar entre as cinco finalistas ao prêmio de melhor atriz.