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Cultura

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Luiz Carlos Merten

19 Agosto 2006 | 23h49

KIKITO
Estou feliz da vida. Terminou agorinha o 34° Festival de Gramado que consagrou o mexicano El Violín como melhor longa latino para os três júris – público, crítica e júri oficial. O longa de Fernando Vargas Quevedo já era o meu preferido desde o Festival de Cannes, quando tentei, sem êxito, dar-lhe a Caméra d’Or como melhor filme de diretor estreante, colhendo a oposição dos irmãos Dardenne, que presidiam aquele júri. A tríplice vitória equivale agora a uma lavagem da alma e o filme ainda ganhou o prêmio de melhor ator para o extraordinário Don Angel Tavira, que faz o velho músico maneta que leva vida dupla – tocando violino em pequenos lugarejos do interior do México para encobrir a atividade como elemento avançado da guerrilha.
Na competição brasileira, o público e os críticos fizeram a mesma escolha, optando por Pro Dia Nascer Feliz, de João Jardim. O júri oficial conseguiu o prodígio de, entre cinco concorrentes, dividir o prêmio de melhor filme entre dois – Serras da Desordem, de Andrea Tonacci, e Anjos do Sol, de Rudi Lagemann. A escolha é tanto mais surpreendente porque são dois filmes muito diversos, aos quais terei de voltar. Serras é radicalmente experimental; Anjos é linear, de uma dramaturgia mais tradicional. Mas ambos trabalham ficcionalmente com elementos de documentário. É o que torna minimamente defensável a escolha de um júri que, pela disparidade do resultado, parece não ter querido tomar partido.