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Cultura » Especial para o Marcos

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Luiz Carlos Merten

31 Julho 2008 | 15h21

Vocês me desculpem, mas tirando o fato de que ontem não estava legal, ainda não me acostumei direito com o novo sistema de aprovação vigente nos blogs do Estado. Concordo que sejam necessários, mas internamente, para a gente, ficou uma coisa complicada remeter os comentários para a caixa de e-mails e voltar com eles ao blog para aprovação. Como o meu nome aparece muito no jornal, recebo todo tipo de e-mail e os comentários estão misturados com 1001 informações, a maioria inúteis, que recebo no dia a dia. Feito o desabafo, vamos lá. Marcos de Luca comenta o cinema italiano dos anos 70. Foi uma grande década, marcos. Começou com os filmes políticos de Elio Petri, Francesco Rosi e Damiano Damiani, teve as geniais provocações de Marco Bellocchio (‘Em Nome do Pai’) e Bernardo Bertolucci (‘Último Tango em Paris’)e prosseguiu com a consolidação dos irmãos Taviani (‘Pai, Patrão’) e de Ermanno Olmi (‘A Árvore dos Tamancos’). Mas ouso dizer que, como o cinema italiano do começo dos 60, não houve, nem no auge do neo-realismo. ‘Rocco do Visconti’, ‘A Doce Vida’ e ‘Oito e Meio’ do Fellini, a trilogia do Antonioni – o que que era aquilo, meu Deus? E ainda houve a revelação de Rosi (‘O Bandido Giuliano’), o último grande Rossellini (‘De Crápula a Herói’, embora para muita gente seja ‘Vanina Vanini’ ou ‘Alma Negra’) Adoro quando alguém diz alguma coisa que provoca minhas viagens (devaneios?) pessoais. Citei anteriormente ‘Em Nome do Pai’, ‘In Nomine del Padre’. Contemporâneo do ‘Tango’ de Bertolucci, cuja cena da manteiga virou o flagelo da censura militar, confesso que choque muito maior tive no filme do Bellocchio, quando o garoto, na igreja, tem uma alucinação e se masturba olhando para a estátua da Virgem Maria, que, em sua imaginação, fuma um cigarro, muito vamp. Nos 50, 60 e 70, o cinema italiano foi grande, imenso. Para mimn, é motivo de satisfação pessoal dar-me conta de que uma geração nascida nos anos 60 – Daniele Luchetti, Matteo Garrone Paolo Sorrentino – esteja ocupando o vazio deixado pela morte dos mestres (e que autores talentosos como Nanni Moretti não conseguiram preencher).

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