Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Mais nacionais

Cultura

Luiz Carlos Merten

07 Janeiro 2008 | 12h49

Já que falei do cinema brasileiro ‘de público’, vou falar também do ‘miúra’. Havia marcado para ver ontem à tarde o ‘Bang Bang’, de Andrea Tonacci, no ciclo Clássicos e Raros do Nosso Cinema, no Centro Cultural Banco do Brasil. Faz tempo que não vejo o ‘Bang Bang’, mas na minha lembrança o filme é muito legal – e eu gosto dele bem mais do que de ‘Serras da Desordem’, que venceu o Festival de Gramado (em 2006!) e até hoje não estreou. Aliás, o fato de não ser o maior fã do ‘Serras’ não me impede de achar que o júri de Gramado naquele ano foi uma coisa horrorosa, esquizofrênica, dividindo o Kikito entre dois filmes que não tinha nada a ver – o do Tonacci e ‘Filhas do Sol’, de Rudi Lageman. Também não gosto do outro, mas me incomoda que aquele júri não tenha querido tomar partido, ficando em cima do muro. De volta a ‘Bang Bang’, o problema é que estava ontem na redação do jornal, precisava comer alguma coisa e perdi a hora. Terminei vendo no CCBB ‘Hitler do 3º Mundo’, do José Agripino de Paula. Nunca tinha visto o filme, mas o meu interesse por ele aumentou depois de ver a homenagem de Miriam Chnaiderman ao José Agripino. O cara é gênio, não há dúvida, mas acho que seu experimentalismo funciona melhor na literatura. ‘Pan-América’ foi e ainda é um marco, abrindo uma vertente que muita gente seguiu depois, mas José Agripino, além de ser o primeiro a canibalizar Hollywood nas letras – o que é aquele Cecil B. de Mille, como bem me lembrou o meu colega Jotabê Mredeiros? -, ainda o fez muito bem. ‘Pan-América’ é maravilhoso. Já o experimentalismo cinematográfico do Agripino me cansou. Achei interessantes algumas idéias, relativas a nazismo e tortura – em pleno regime militar! -, mas o esculacho é muito malfeito e eu não consigo levar ao limite a frase do ‘Bandido da Luz Vermelha’ – ‘Quando a gente não é o melhor, a gente esculhamba!’ Achei aquele ninja do Jô Soares uma coisa horrorosa, na cena da ducha (pobre Hitchcock) eu queria morrer, mas, enfim, entendo o interesse que o filme do José Agripino desperta em defensores mais radicais que eu do Cinema Marginal. A boa nova para concluir o post é que ‘Bang Bang’ terá nova sessão na quarta, às 17 horas, seguida de encontro com o diretor. Lamento, mas não vou poder comparecer. Neste horário estarei no aeroporto, embarcando para… Depois eu conto.

As informações e opinões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Encontrou algum erro? Entre em contato