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Mais sobre Charles Laughton

Luiz Carlos Merten

07 Novembro 2007 | 16h14

Paulo Campos me observa que não citei o Charles Laughhton de ‘Os Amores de Henrique VIII’ no post sobre o o ator que dirigiu o agora segundo mais belo filme de todos os tempos, ‘O Mensageiro do Diabo’, na pesquisa realizada na França e divulgada por ‘Cahiers du Cinéma’ em sua edição de novembro. Confesso que quando citei aqueles três ou quatro filmes no post pensei que poderia estar fazendo referência a muitos outros, mas não me veio o ‘Henrique VIII’, de Alexander Korda, em que ele está extraordinário e o filme é tão cuidado, em termos de cor, cenografia e vestuário, além de diálogos, que Jean Tulard, em seu ‘Dicionário de Cinema’, vê nele o verdadeiro nascimento do cinema sonoro inglês (lá por 1933 ou 34). Pensei em outros filmes com o Laughton que não citei – ‘O Signo da Cruz’, de Cecil D. de Mille; ‘Motim a Bordo’, a primeira versão, de 1935, em que ele foi um genial capitão Bligh; ‘A Estalagem Maldita’, do Hitchcock; ‘Dúvida’, um noir de Robert Siodmak, em que ele é alucinante como sádico; e ‘Papai É do Contra’, comédia de David Lean em que Laughton muda o tom e faz pai amoroso, mas autoritário, cuja filha mais velha resolve se emancipar, com tudo o que isso representa de desequilíbrio para o grupo familiar (e no final vencem os laços de sangue). O problema de um ator como Charles Laughton é que ele era bom demais e trabalhou com alguns dos maiores diretores de seu tempo (além de todos os citados, também Leo McCarey, Richard Boleslawski, Lewis Milestone, Jules Dassin e muitos outros). Paro por aqui, pois este post poderia se estender e eu ia ficar falando horas sobre o Laughton. Vocês se lembram do velho político de ‘Tempestade sobre Washington’, chegando de ônibus ao Congresso dos EUA (porque o dinheiro do contribnuinte não deve ser gasto com ostentações)? Grande Preminger – aquilo era Charles Laughton.