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Cultura » Mais amor do que cólera

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Luiz Carlos Merten

04 Outubro 2007 | 14h25

RIO – Vocês devem ter estranhado porque ontem não postei nada. Eu próprio estranhei, mas não encontrei tempo. De manhã, vim para a sucursal do Estado para redigir o material do dia e saí correndo para assistir a O Amor nos Tempos do Cólera, que era condição para entrevistar, na seqüência, o diretor Mike Newell e a atriz Catalina Sandino Moreno. Assisti à coletiva, antes de falar dos dois, e vi o diretor de fotografia Afonso Beato, um dos maiores do cinema brasileiro (e do mundo) dizer que Newell é o maior cineasta com quem trabalhou. Não é pouca coisa, porque Beato fotografou para Ruy Guerra, Pedro Almodóvar e Jim McBride. Também vi o diretor referir-se a Fernanda Montenegro como ‘the goddess’ (a deusa) e logo tive uma conversa informal com a própria Fernanda – a entrevista fica para dezembro, quando o filme estrear, no dia 28 -, que foi muito simpática. Fernanda adorou sua experiência colombiana e, não sem trocar gentilezas com Javier Bardem – numa entrevista n’O Globo, ele disse que, como atriz, ela é uma escultora de almas -, Fernanda teve uma sacada genial e o comparou, como homem e ator, a um touro erótico de Picasso.Gostei bastante da entrevista com Mike Newell, mas também resolvi guardá-la para dezembro e o que sai amanhã no Caderno 2 é mais em cima da coletiva. Para finalizar, imagino que vocês estejam querendo saber o que achei do Amor nos Tempos do Cólera. Senti mais amor do que cólera. Claro, tem o problema de o filme ser falado em inglês, mas acho que, neste quesito, o Milos Formam me ajudou bastante. Havia visto As Sombras de Goya na noite anterior e lá, também, o espanhol é substituído pelo inglês. Newell me disse coisas ótimas sobre a parceria com o roteirista Ronald Harwood, que ganhou o Oscar por O Pianista, além de haver escrito um filme de Peter Yates que eu adoro (O Fiel Camareiro). Newell diz que a riqueza da escrita de García Márquez – a multiplicidade de pontos de vista, a sutileza dos detalhes e a musicalidade do espanhol – é intransponível para o cinema, mas ele explicou como Harwood trabalhou para, mesmo assim, ser fiel a Gabo. É coisa que vem do roteiro e passa pela fotografia de Afonso Beato. Esse Mike Newell não é burro, não…