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De moda e de xiitas

Luiz Carlos Merten

10 Agosto 2007 | 14h19

Como li muitos comentários hoje e não fiz anotação nenhuma, estou arriscado a comentar o que que foi comentado sem ligar muito bem o que foi dito às pessoas. Guardo o nome da Alexandra, que faz o evento sobre moda no cinema. Alexandra me ligou. Combinamos conversar lá pelas 4, pelo telefone. Mas quero antecipar uma coisa que acho legal. Alexandra quer comentar a moda de Noite Vazia, o clássico de Khouri. Me lembro de uma coisa que ele me dizia e nem era dele (Walter Hugo sempre fez essa ressalva). Vinha do Rubem Biáfora, mentor do Khouri. Biáfora reclamava muito da moda feminina – os vestidos – dizendo que, em geral, eram o que mais envelhecia (datava) os filmes. Biáfora adorava os figurinos elegantes dos filmes do Antonioni, uns pretinhos básicos ou então roupas muito simples, sem grandes afetações. Achava que resistiam melhor ao tempo. Menos, na moda, já era mais para esses caras. Khouri teve a preocupação de não fazer um figurino datado em Noite Vazia e acho até que, mais do que os vestidos, ele realçou o penteado das duas atrizes. Mais do que a roupa, o que define Odete Lara é o penteado que destaca seu aspecto leonino, servindo à personagem. Estou falando de Noite Vazia, mas acho que iria comentar, de qualquer maneira – na revista de bordo da Alitália havia uma reportagem sobre as novas tendências da moda. Não sou muito bom para descrever essas coisas, mas voltaram as ombreiras, as mangas bufantes, os babados nos ombros. A revista mostrava fotos das principais coleções do ano que refletiam a tendência e ia às origens – os modelos que Adrien criou para Joan Crawford, nos anos 30 e 40, quando ela reinava em Hollywood, bem antes de virar o zumbi que, no fim da vida, tinha o physique du rôle para filmes de terror (não se esqueçam de que ela fez O Que Terá Acontecido a Baby Jane? e Almas Mortas). Acho muito legal essa coisa da moda. Godard diz que todo filme de ficção é sempre um documentário sobre a época em que foi realizado. Legal – estou louco para ver o que a Alexandra vai mostrar no festival dela, neste ano. O outro comentário é mais punk. Quem foi que disse que já está gelando o champanhe para comemorar o fracasso de Primo Basílio, que estréia hoje? O cara já tinha brindado o fracasso de Saneamento Básico –O Filme. Tudo bem. De perto ninguém é normal mesmo, mas precisa ser tão doido? Eu até duvido das chances de sucesso de Primo Basílio, mas é um daqueles casos em que gostaria de ser surpreendido. Achei muito interessante. Posso não ter gostado muito de Saneamento, mas não brindei o alegado fracasso de Jorge Furtado. Não me convidem para brindar o de Daniel Filho, se ocorrer (mas espero que não ocorra). É um xiismo tão grande. Parece guerra de judeu e palestino.