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Cultura » Tiradentes em ‘Cahiers’

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Luiz Carlos Merten

07 Maio 2010 | 07h38

LONDRES – Cá continuo (e fico até amanhã), regressando à tarde para Paris. Já disse que comprei a edição de abril de ‘Cahiers du CInéma’ – a de maio é sempre lançada durante o Festival de Cannes, com a aposta da revista para a Palma de Ouro na capa. Fiquei muito contente de ver uma matéria de uma página, assinada Pedro Butcher, sobre o Festival de Tiradentes. Pedro afirma que o festival mineiro mostra hoje o melhor do cinema brasileiro. Concordo com ele. Integrei o júri que premiou ‘Estrada para Ythaca’, dos irmãos Ricardo e Luiz Pretti e dos primos Pedro Diógenes e Guto Parente, e acho que o filme coletivo, feito entre amigos (e parentes), realmente energiza ‘et redonne de l’élan’ à produção nacional, como diz o texto. Não compartilho do mesmo entusiasmo pelos coletivos de Pernambuco, mas ‘Um Lugar ao Sol’ e ‘Pacific’ – o segundo é assinado por Marcelo Pedroso, que monta o primeiro – proporcionam discussões ,muito interessantes, que acho que vão render quando, ou se, foram lançadosd. É o medo. Com as novas tecnologias digitais, fazer filmes virou uma experiência mais acessível, não digo necessariamente fácil, mas exibir os filmes ainda é o nó órdio. O vencedor de Tiradentes no ano passado, ‘A Fuga da Mulher Gorila’, até hoje permanece inédito e eu ouço tudo de bom sobre o filme. ‘Ythaca’ me fascinou pela riqueza do diálogo entre duas grandes vertentes autorais – e até experimentais – do cinema brasileiro, o Cinema Novo de Glauber, com a recriação da cena da encruzilhada de ‘Vento Leste’, de Godard, em que Glauber pronuncia aquelas palavras, e o Cinema Marginal de Rogério Sganzerla e Júlio Bressane. Mesmo não sendo do tipo que fecha os olhos para a produção comercial nacionalo – há muita coisa de que gosto -, acho que Tiradentes, com a curadoria de Cleber Eduardo e Eduardo Valente, está abrindo uma janela muito rica para outras vertentes. Já estou me escalando. Mesmo sem ser jurado, espero voltar em 2011. Janeiro é, tradicionalmente, o mês das minhas férias, mas vou ter de encaixar Tiradentes. Ainda em ‘Cahiers’, mas sobre isso falo depois. Dois lançamentos em DVD resgatam o Bergman do pornô, que a revista define como o grande autor ‘doente’do X, Gerard DAmiano. Os filmes são ‘O Inferno de Miss Jones’, com a mais intensa das atrizes do sexo explícito, Georgina Spelvin, e ‘Odyssey’. Vou ter de voltar a ele, mas agora não dá. Aguardem!

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