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Tiradentes (6)/Jovens (in)felizes!

Luiz Carlos Merten

31 Janeiro 2016 | 08h26

Fiquei muito feliz de ter acrescentado meu post anterior, porque levantei cedo – ainda não são nem 7h30 -, abri meus e-mails e… O júri da crítica, integrado por Marcelo Ikeda, cujo livro Cine Casulo Filia comprei em Tiradentes, e por Carlos Alberto de Mattos, que foi colaborador do Estado durante algum tempo, fez a coisa certa e premiou justamente meu favorito, o filme de Thiago B. Mendonça, Jovens Infelizes ou O Homem Que Grita não É Um Urso Que Dança. O e-mail dava conta do agradecimento do jovem diretor, que estava feliz porque o júri “entendeu nossas lutas” e dedicou a vitória ao movimento Mães de Maio. Um cinema de coletivo, de luta, herdeiro da tradição marginal. Um cinema que dialoga intensamente com o teatro e Thiago milita num grupo que não conheço, a Cia. do Terror (mas vou tentar me informar e conhecer). Para mim, pelo menos, tem tudo a ver com Ralé, em que Helena Ignez reinventa o espírito, mais que o texto de Gorki, transformando-o numa performance celebratória da vida e do sexo. Cito o Ralé porque o filme passou ontem à tarde no Cine Teatro Sesi, com direito a debate após a sessão. Não cheguei a me encontrar com Helena, mas Djin Sganzerla me disse que o filme deve entrar em abril, distribuído pela Pandora. Seria bom se a própria Pandoras ou o circuito da Spcine assumissem também o Jovens Infelizes e que os filmes pudessem estrear juntos, ou próximos, porque representam algo muito vital e bacana no cinema brasileiro atual. O Júri Jovem premiou Tropykaos, de Daniel Lisboa, que integrou a mostra Transições e perdi porque, na hora, tive de entrevistar Olivia Newton-John por telefone (sim!), já que ela vem fazer show no Brasil. Expliquei isso para o Daniel e ele me deu o link do filme, que prometo ver e comentar aqui. O júri popular escolheu Geraldinos, documentário de Pedro Asberg e Renato Martins na Mostra Praça. Já vi e gosto do filme, sobre os órfãos da geral, que desapareceu com a reforma do Maracanã para sediar a Copa, transformando-se em arena dentro da nova concepção elitista da Fifa. De maneira geral, gostei da premiação, menos da dos curtas. O júri da crítica premiou Noite Escura de São Nunca, de Samuel Lobo, com Guiomar Ramos, que foi a crítica convidada no debate de Clarissa ou Alguma Coisa Sobre Nós Dois, de Petrus Cariry – e com quem almoçamos um dia Luciano Ramos (sem parentesco com ela) e eu. Eclipse Solar, de Rodrigo de Oliveira, levou o prêmio de curta aquisição do Canal Brasil e o júri popular selecionou Madrepérola, de Deisi Hauenstein, do Rio Grande. De minha parte, teria premiado Ainda Me Sobra Eu, do sempre visceral Taciano Valério, que se inscreve na senda performática de Jovens Infelizes e no qual Tavinho Teixeira é f… Amando Tiradentes e a Mostra Aurora, como amo, tenho de admitir que a seleção deste ano, salvo exceções que mexeram muito comigo (Urutau, de Bernardo Cancella Nabuco e A Noite Escura da Alma, de Henrique Dantas, na Transições, e o vitorioso Jovens Infelizes, na principal), me pareceu inferior à de outros anos, quando tivemos obras definidoras dos irmãos Pretti e primos Parente, de Adirley Queirós, Maria Clara Escobar e Affonso Uchoa.