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Luiz Carlos Merten

22 Janeiro 2007 | 18h27

Estou de volta a São Paulo. Cheguei tarde (à tarde) e com alguns problemas urgentes para resolver, o que me deixou sem tempo de dar pelo menos um olá. Na quinta, ou sexta, devo ir a Tiradentes, que realiza seu 10º festival de cinema, para participar de um debate. O tema será – novas formas de expressão no cinema brasileiro pós-pós retomada. Fico mais uma semana por aqui e embarco para Berlim, onde Cao Hamburger deve concorrer ao Urso de Ouro – é o que me diz Flávia Guerra – por O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias. Tenho algumas questões pendentes. O pedido para comentar o mito Bogart, aproveitando o cinqüentário da morte dele, que foi por estes dias. Amanhã vamos ter as indicações do Oscar e, hoje à noite, espero assistir a A Grande Família, na pré-estréia prometida para o Kinoplex. Quero também fazer nao propriamente uma correção. Falei outro dia sobre o thriller que vi na TV chilena – Fulltime Killer, de Johnny To. O que não informei é que Fulltime Killer tem um crédito de co-direção e o co-diretor, que também é ator, é Andy Lau, o autor do original em que se baseou Scorsese para fazer Os Infiltrados (que deve ganhar uma penca de indicações para as estatuetas da academia, amanhã). A propósito de Os Infiltrados, tem uma coisa que até hoje não assinalei, mas que os fãs do filme devem ter percebido, com certeza. O título original é The Departed e o filme ganhou no Brasil o mesmo título que na França e em toda América Latina. Scorsese não gosta de Os Infiltrados, que se baseia no fato de que os personagens de Matt Damon e Leonardo DiCaprio são infiltrados, um no crime, outro na polícia. Scorsese não aprova Os Infiltrados (disse-o à revista francesa Première) pelo simples fato de que, na mitologia do filme, The Departed refere-se aos mortos, aos que partiram e que permanecem vivos na lembrança, de acordo com a tradição irlandesa que inspira seus marginais, sejam eles policiais ou criminosos. Interpretar Os Infiltrados por este ângulo resulta bem mais interessante (mesmo que eu não morra de amores pelo filme) do que ficar na obviedade factual que o título brasileiro sugere.