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Cultura » The Brave One, uma mulher de elite

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Luiz Carlos Merten

18 Setembro 2007 | 12h13

Olá, cá estou eu de volta! Foi quase um dia de viagem. Omntem, por volta do meio-dia, embarquei em Los Angeles para dallas e de lá fiz a conexão para o Brasil. Somando os dois vôos, espera no aeroporto e diferença de horáruio, dá quase 20 horas. Estou aqui na redação, louco para comentar as novidades. Assisti a alguns filmes que acabaram de estrear nos EUA. Um deles foi The Brave One, de Neil Jordan, que, pelo que estou sabendo, foi exibidio ontem pela manhã, como primeira cabine de imprensa do Festival do Rio. O festival será inaugurado, depois de amanhã, pelo filme brasileiro que se antecipa como mais polêmico do ano – Tropa de Elite, de José Padilha. O filme de Jordan dispensa a tropa e transforma Jodie Foster que vaga na noite de Nova York fazendo justiça com as próprias mãos. Jordan fez a tropa de uma mulher só – portanto, não é uma tropa –, mas Jodie ganha uma ajuda no final e ela vem justamente de um defensor da ética e da lei. Jodie está espetacular, e não apenas ela. Gostei muito de Terrence Howard, que acho que já deveria ter ganhado o Oscar pelo machão politicamente incorreto de O Ritmo de Um Sonho, mas a academia, no ano passado, preferiu premiar Philip Seymour Hoffman, por Capote (que também é muito bom). Mas Jodie é qualquer coisa. Ela já recebeu duas vezes o prêmio da academia (por Acusados e O Silêncio dos Inocentes) e eu, pelo menos, gostaria muito de vê-las entre as indicadas, de novo. Ela está melhor do que nos papéis anteriores, dando grande intensidade (e complexidade) a essa mulher que pega em armas e o revólver lhe dá, como disse a atriz, numa entrevista a que assisti na TV, “a falsa sensação de que é poderosa”. The Brave One – não sei como vai se chamar no Brasil; alô alô Paramount – estreou na sexta nos cinemas americanos e teve a maior bilheteria do fim de semana, o que o colocou em primeiro lugar no pódio. Os críticos de lá dizem que a interpretação de Jodie é A, mas o filme é B e ela não vai para o Oscar. Não acho que seja B, mas vai provocar polêmica como Tropa de Elite, quando for exibido nos cinemas brasileiros. Tomei um susto vendo o filme num cinema de rua, o Mann, em Los Angeles. Fui ver com Elaine Guerini. Na saída, comentamos – a sala é tão grande (e tão luxuosa) que daria umas dez salas pequenas, como as de shopping. O susto, ou pelo menos a surpresa, não se liga à sala, mas ao público. Pela segunda vez, vi um público normal aplaudir nos cinemas dos EUA. A primeira vez, também em Los Angeles, foi em O Terminal, de Spielberg, naquele discurso em defesa da diferença, quando um personagem critica o comportamento do Stanley Tucci e diz que os EUA, terra de emigrantes, não se constituíram numa grande nação tratando o estrangeiro daquele jeito. Desta vez, o público aplaudiu um filme de recorte completamente diferente, não digo a cena porque tira a graça e entrega o ouro. O aplauso agora foi para a justiceira, quando ela mira e dispara. Ou seja – em Los Angeles como no Rio, a violência urbana leva as pessoas à mesma reação. Não sei o que me assusta mais, se a bandidagem ou a reação, a qualquer preço, que ela provoca.