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Luiz Carlos Merten

27 Novembro 2007 | 09h08

Termina hoje o 40º Festival de Brasília. Não tenho acompanhado a cobertura que o próprio ‘Estado’ tem feito do evento – Luiz Zanin Oricchio é o enviado do jornal –, mas vi de relance, num título no ‘Globo’, que Júlio Bressane, o senhor de Brasília, três vezes vencedor do Candango, foi vaiado com a sua ‘Cleópatra’. Como estou muito curioso em relação a ‘Chega de Saudade’ – amo ‘Bicho de Sete Cabeças’ e todo mundo sabe disso –, perguntei à minha colega Regina Cavalcanti, redatora do ‘Caderno 2’, o que o Zanin havia achado do novo filme de Laís Bodanzky. Ela me disse que a reação da platéia de Brasília foi tão boa que pelo menos o prêmio do público já parece estar no papo. Fui jurado em Brasília há dois anos. Nosso júri estava fazendo uma composição, para distribuir (lotear?) os prêmios, mas aí no último dia veio ‘Eu Me Lembro’ e só por cima do meu cadáver o Candango teria ido para outro filme que não o de Edgar Navarro. Engraçado é que encontrei outro dia o Kleber Mendonça – foi em Vitória, onde ele apresentava seu curta ‘Noite de Sexta, Manhã de Sábado’ – e ele me disse que o filme pernambucano da competição ia fazer história. Mas o Kleber também observou que poderia ser um problema o fato de o festival, mesmo apostando em novos talentos, ter programado o filme de Daniel Bandeira (‘Amigos de Risco’) para a primeira noite. A tendência é que o impacto vá se esvaziando à medida que passam os demais filmes. Enfim, hoje à noite vamos saber quem leva o Candango neste ano tão importante da história do mais antigo festival do cinema brasileiro ainda vigente (e o que tem o perfil de ser o mais politizado). Na verdade, estou acrescentando esse post por dois motivos, ou três. 1) Seria absurdo, num blog de cinema, ignorar Brasília. 2) Me bateu uma idéia. A ‘Première Brasil’, no Festival do Rio, é uma grande vitrine do cinema brasileiro, mas logo em seguida vem a Mostra de São Paulo e os filmes da ‘Première’ terminam passando aqui. Muitos desses filmes já vêm de festivais internacionais como Berlim e Cannes. Brasília exige ineditismo (acho que só o Bressane já havia passado em Veneza.) Os filmes estão estreando na Capital Federal. Sabe-se lá quando poderemos vê-los. Me lembro que o filme de Edgar Navarro estreou quase um ano depois. Minha idéia foi a seguinte – por que esses grandes exibidores do cinema brasileiro, André Sturm, Adhemar Oliveira ou Jean Thomas Bernardini, não fazem uma mostra tipo ‘Brasília em São Paulo’, permitindo que a gente veja logo esses filmes? É muito comum, quando volto de Cannes, passar por Paris e o Action Écoles, um cinema de arte próximo à Sorbonne, fazer a síntese do maior festival do mundo. Seria tão absurdo assim trazer Brasília, ou Gramado, para São Paulo? Com toda certeza não seria prejudicial para a carreira dos filmes e, para o cinéfilo, seria uma oportunidade de se atualizar imediatamente com as novidades brasilienses. 3) Escrevi ontem, no ‘Caderno 2’, o texto sobre o livro da jornalista Maria do Rosário Caetano, mulher do meu colega Zanin, sobre os 40 anos de Brasília. O livro foi lançado ontem à noite. Aliás, poderíamos, Rosário e eu (mais Rodrigo Fonseca e Cacá Diegues), lançar nossos livros também em São Paulo – ‘Festival de Brasília, 40 Anos’ e ‘Cinco Mais Cinco’, que tal? A questão é a seguinte. Rosário escreveu antes um livro com entrevistas feitas com diretores latino-americanos no Festival de Havana. ‘Cineastas Latino-Americanos’ (é o título) transpira, ou transmite, a paixão de Rosário pela revolução e por Che Guevara como ícone revolucionário. Me dei conta, só agora, que o ano do 40º Festival de Brasília é também o 40º da morte do Che. O valor simbólico dessas duas datas pode ser muito grande, mas isso eu vou deixar por conta de vocês.