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Luiz Carlos Merten

10 Julho 2011 | 14h08

Estasva zapeando ontem no fim da noite e terminei entrando pela madrugada assistindo na TV paga a ‘2012’. É um dos piores filmes já feitos. Toda aquela parte final, a mensagem ‘humanista’ do dsr. Chiwetel Ejiofor, os sucessivos incidentes que ameaçam a arca que carrega o elenco principal, tudo aquilo não é só um monumento de banalidade e lugar-comum. ‘2012’ devia ser selecionado como exemplo daquilo que não se deve fazer em cinema e, como tal, ser exibido para estudantes e candidatos e cinéfilos sob o rótulo de ‘Fuja!’. O que me leva a uma digressão muito pessoal. Se não fosse a pneumonia, provavelmente estaria no México, em Cancún, participando de mais um Sony Summer. A pérola da seleção deste ano é o novo filme de David Fincher, que o próprio, até onde sei, vai mostrar – e no ano passado ele não deu o ar da graça, deixando elenco e roteirista com o encargo de promover ‘A Rede Social’. Há dois anos, em Cancún, o próprio Roland Emmerich estava ‘vendendo’ ‘2012’. Participei de um reduzido grupo que almoçou com ele. Emmerich é gay assumido, estava com o namorado. Falou sobre homofobia em Hollywood e terminou dizendo o óbvio – que sempre existiram diretores gays e é mais fácil para alguém detrás das câmeras sair do armário do que para um astro, ou estrela. O filme, ‘2012’, é ruim demais, insisto, mas Emmerich é bom de papo. Ele pesquisou seriamente o calendário maia que prevê o fim do mundo para dezembro do ano que vem, sabia tudo sobre a astronomia dos primitivos e que, na verdade, é de uma sofisticação exemplar. Não sei direito aonde este post estás me levando. Um filme ruim é ruim, independentemente do que um diretor pode ter de interessante para relatar, pelo menos do ponto de vista midiático. O que me leva a outra digressão. Assim como ontem fiquei assistindo a ‘2012’ – Xô! -, na véspera havia ficado vendo ‘Armageddon’. Aqui, o furo era mais embaixo. Já contei como, no Rio, na junkett de ‘Transformers 3’, fiquei conversando com Michael Bay. Falamos – eu puxeiu o assunto – sobre Stanley Kubrick, ‘2001’ e o computador Hal-9000. Gostaria de ter ficado mais tempo com Bay e gostaria, principalmentem, de ter revisto ‘Armageddon’ antes de encontrá-lo, embora nãoo me parecesse o caso de ter feityo uma lição de casa. Mas a verdade é que Bay tem uma fixação emn Kubrick, sim. Não são só as cenas dce ‘Armageddon’ que recriam momentos célebres de ‘Douor Fantástico’. Steve Buscemi cavalga a bomba como Slim Pickens em ‘Doctor Strangelove’ e todo o conceito da militarização do espaço, do Exército e seus oficiais como máquinas de matar, tudo é muito ‘kubrickiano’. Havia visto ‘Armageddon’ em Cannes, onde o filme teve sua première mundial e, depois, nunca mais. Achei bem,legal a relação de Bruce Willis com a filha (Liv Tyler) e o genro (Ben Affleck). É verdade que Liv Tyler tem o popder de me anestesiar, embotando o pensamentyo, mas ela é tão parecida com minha fcilha Lúicia e não consigo me esquecer de que em ‘Beleza Roubada’, de Bernardo Bertolucci, sua personagem chama-se… Lucy. A verdadse é que os conflitos de ‘Armageddon’, a trama familiar, me pareceram mais… Convincentes? Verdadeiros? do que a ligação de Arnold Schwarzenegger com a filha em ‘True Lies’, de James Cameron, que também revi ontem e do qual tinha uma lembrança simpática, mas que, na revisão, me pareceu o pior filme do diretor de ‘Avatar’. É verdade que Schwarzenegger não ajuda e, em comparação com ele, Brice Willis merece o Oscar por qualquer de seus duros de matar. Aquela perseguição do herói a cavalo atrás do terrorista na moto me pareceu particularmente detestável e olhem, que, em outras eras, eu talvez tivesse me divertido. Não estou tentando convencer ninguém de nada, são apenas anotações sobre coisas que (re)vi e de poucas gostei.

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