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Luiz Carlos Merten

26 Dezembro 2011 | 09h00

PORTO ALEGRE – Erro muito no blog e em geral não me importo, porque sempre é possível corrigir e há também o fato de isso estimular a participação (mesmo que seja para me esculhambar). Mas o René me desculpe. Minha cronologia de Terence Stamp estava certa. ‘Billy Budd’ é de 1962, ‘O Colecionador’ foi feito três anos depois, em 1965. Se os produtores de ‘Billy Budd’ tiveram alguma dúvida em contratá-lo não foi pelo filme de William Wyler, mas pela estreia dele em ‘Term of Trial’ – como se chama mesmo o filme de Peter Glenville no Brasil? Passa-se numa escola tradicional, num internato, com Laurence Olivier, Simone Signoret e Sarah Miles. Terence faz um estudante meio perturbado, maledicente. Já que estou escrevendo sobre isso, quero acrescentar que não foi esquecimento, mas embora tenha citado apenas os três grandes papeis – nos filmes de William Wyler, Federico Fellini e Pier Paolo Pasolini -, Terence Stamp teve um começo de carreira retumbante e apareceu também em filmes de Joseph Losey (‘Modesty Blaise’), John Schlesinger (‘Longe Deste Insensato Mundo’) e Ken Loach (‘Poor Cow’, cujo título brasileiro é quilomético e tem ‘lágrima’). Terence Stamp virou ícone sexual e teve affairs com Brigitte Bardot e Jean Shrimpton. Esta, não sei se foi a primeira top model, mas foi outro ícone dos anos 1960 (na moda e no cinema). Quando Jean lhe deu um pé vocês sabem onde, Terence Stamp despirocou e foi viver uma vida de peregrinação na Índia, onde permaneceu por mais de dez anos. Ele retomou a carreira e conheceu novo sucesso como a drag queen de ‘Priscilla’, mas ficou confinado aos papeis de coadjuvante (com raras exceções). Gosto muito dele em ‘Superman 2’. No filme de Richard Lester, Terence Stamp vem de Krypton e faz um estrago na Terra. Uma de suas vítimas cai no solo e lamenta, ‘Oh God’, ó Deus, ao que ele retruca – ‘Não é God, é Zod.’ adoro a piada, que carrega um elemento de autocrítica e gozação com o que Terence Stamp representou, inclusive pela desmedida de muitos de seus personagens. E não estou esquecendo, lá no começo, do faroeste dele. ‘Duas Pátrias para um Bandido’, de Silvio Narizzano – eu amava ‘Georgy Girl’. Nunca revi o filme, mas no meu imaginário o filme é tão ‘italiano’ quanto os spaghettis de Sergio Leone e Sergio Corbucci (e muito provavelmente foi o que aproximou o astrop de Fellini e Pasolini).