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Luiz Carlos Merten

28 Agosto 2007 | 09h22

O título é uma reminiscência do episódio do Antonioni no filme Amore in Città (Os Amores na Cidade). Claro que foi mera coincidência, mas estou no jornal, fazendo os filmes na TV e a caminho no Cinemark Santa Cruz, onde quero ver, às 10h30, o remake de Janela Indiscreta – Disturbia, que aqui se chama Paranóia. Estava digitando os nomes do elenco de Os Excêntricos Tennenbaums, que a Globo colocou em votação no Intercine de hoje (e não sei se venceu). Gene Hackman, Anjelica Huston, Gwyneth Paltrow, Owen Wilson… Êpa! Minha colega Eliana Souza, pauteira do Caderno 2, se vira para mim e diz – Owen Wilson tentou se matar. Como? A notícia é que o ator, vítima de uma crise de depressão, tentou o suicídio. Vejam como é a vida. Owen wilson é comediante de sucesso. Co-escreveu, com o diretor Wes Anderson, o roteiro de The Royal Tennenbaums, mas eu nem sou o maior fã do filme. Ocorre que li, no outro dia, que Will Smith é, na atualidade, o astro número um nas bilheterias americanas e o Owen Wilson está ali, na seqüência, entre os primeiros. O cara é rico, famoso, não vou dizer que é bonito, porque não é o caso. Digamos que um milhão de pessoas gostariam de estar no lugar de Owen, menos ele, que vive de fazer graça mas andava tão deprimido que quis sair de cena. Uma coisa não tem nada a ver com outra, mas talvez tenha. Tão logo a Eliana me contou da tentativa de suicídio de Owen Wilson, eu me lembrei de uma história chocante. Fui checá-la. Está no prefácio do Dicionário de Cinema de Jean Tulard. O autor explica as intenções do livro e faz uma dedicatória. A Clive Bruckman, diretor dos melhores filmes do Gordo e o Magro, de W.C. Fields, Harold Lloyd e Buster Keaton, que se matou no banheiro de um restaurante por não ter dinheiro para pagar sua conta. Não consigo dizer mais nada. Queria fazer ilações com Keaton, o homem que nunca ria e cuja máscara cômica era uma cara de tragédia. Mais ilações com Chaplin, Carlitos e a permanência da arte na cena final de Luzes da Ribalta, mas está difícil. Pegando carona em Fernando Pessoa, acho fascinante, na figura do palhaço, a sua sina de transformar a própria dor em alegria dos outros. Owen Wilson sobreviveu. Talvez estivesse querendo somente chamar a atenção. Uma boa terapia pode resolver o problema. Pode? Vocês prossigam com os pensamentos, por favor.