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Teatro, com Isabelle Huppert e Cristiana Reali

Luiz Carlos Merten

27 Janeiro 2008 | 17h19

PARIS – Meu primeiro dia em Paris – ontem – foi inteiramente dedicado ao teatro. Vi duas peças, correndo de um teatro para outro, mas com uma confortável diferença de uma hora e meia entre uma peça e outra, em teatros próximos (no Boulevard Strassbourg), o que me deu tempo de bater perna em companhia de meu amigo Dib Carneiro ali por perto. A primeira peça, ‘Le Dieu du Carnage’, de Yasmina Reza, com direção da autora, reinventa ‘Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?’, de Edward Albee, proporcionando um grande papel para Isabelle Huppert, que cria a anti-Martha do filme de Mike Nichols com Elizabeth Taylor. Se Gabriel Vilela – ou algum amigo dele – ler este post, espero que repasse imediatamente a sugestão do Dib de que é um texto perfeito para Renata Sorrah e que ela, melhor do que ninguém, deveria (ou saberia?) interpretá-lo no Brasil. A segunda peça, dramaturgicamente, não é tão boa – ‘Good Canary’, de Zach Helm -, mas, além de interessante, forneceu o material para que John Malkovich, assinando a direção, criasse o ‘A vida é Sonho’ dele. Que espetáculo mais bonito! E o que é a Cristiana Reali, filha de Reali Jr. – escritor e jornalista, ex-correspondente do Estadão em Paris-, no palco? Os franceses dizem que Cristiane é ‘éblouissante’. Resplandecente, uma ova. É pouco para ela. E seu colega de elenco, Vincent Elbaz? O cara é f… Fiquei pensando – mas por que o cinema francês não aproveita este sujeito? No programa da peça, encontrei a informação. Cristiana Reali fez seis filmes em quase 20 anos de carreira, desde 1989. Fez muito mais teatro. Ele é o contrário. Fez sete peças desde 1990 e uns 30 filmes – mais de 20, com certeza – desde 1994. Um que outro até passou no Brasil. Nunca tinha ouvido falar dele. No cinema, Elbaz não pegou. No palco, o cara é excepcional. Chega por hoje. Vou ter de deixar o ‘Barbeiro’ (Sweney Todd) para amanhã. É melhor. Dá tempo de decantar melhor o filme. Mas é bom já ir elogiando o o Johnny Depp e a música de Stephen Sondheim, que são suntuosos. Aliás, comprei um CD que traça o retrato musical de Alain Resnais por meio de seus compositores. Genial! Meus favoritos são Giovanni Fusco e Georges Delerue, por ‘Hiroshima, Meu Amor’ – aquele tema da corrida de bicicleta, quando Emmanuelle Riva vai ao encontro de seu soldadinho alemão; ‘On faisait l’amor partout’, lembram-se?, é a glória -; Miklos Rosza, por ‘Providence’; e, claro, Stephen Sondheim, por ‘Stavisky’, onde ele criou todos aqueles temas lindos para Jean-Paul Belmondo e Annie Duperey. Este Sondheim não é mole, mas tenho a impressão de que, em ‘Sweeney Todd’, ele ainda se supera.