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Luiz Carlos Merten

07 Novembro 2011 | 14h11

LOS ANGELES – Desculpem-me por estar redigindo sem acentos, mas naoh posso deixar de reportar. O titulo naoh se refere ao filme cult de Martin Scorsese com Robert De Niro. Existem muitos motoristas de taxi russos aqui em Los Angeles. Conversando com um, ele me disse que era armenio e eu falei que na Mostra de Sao Paulo dois autores de origem armenia haviam sido homenageados. Citei os nomes de Sergei Paradjanov e Atom Egoyan. O cara conhecia os dois. Lembrou, espontaneamente, `A Lenda da Fortaleza Suram` e naoh deixou por menos, sabia ateh que Egoyan eh casado com Arsinee Khanjian (eh assim, naoh?). Peguei depois o taxi de outro armenio e ele tambem conhecia os dois autores, o que me leva a crer que os armenios saoh muito cientes de suas tradicoes. Peguei outro taxi e neste, o motorista era de Nova York. Louco por futebol. Mais do que Luiz Zanin Oricchio ou Ubiratan Brasil (meu editor),  gostaria que meu irmaoh Ildo estivesse naquele carro. Meu irmaoh sempre foi a maior memoria de futebol que conheco, daqueles de lembrar a escalacao de times hah 50/60 anos atras. O cara tinha na ponta da lingua as selecoes brasileiras desde 1950. Sabia tudo sobre  Peleh, Neymar, Rivelino, Raih. Para ele, mais que a selecao brasileira de 1958, as de Tele Santana, em 1982 e 86, foram as melhores de todas. Quando chegamos ao hotel, o Victor, eh seu nome, foi ao porta-malas e me mostrou o abrigo de plastico da selecaoh brasileira, com o autografo nem me lembro de quem, que ganhou durante a Copa da Franca. Saoh incriveis esses encontros. Me fazem acreditar na possibilidade de dialogo com o outro. Temos muitas coisas em comum com gente que nem conhecemos. Basta conversar para estabelecer as afinidades. As diferencas, tambem, mas, conversando, sempre existe a esperanca de um entendimento.