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Tarkovski Jr.

Luiz Carlos Merten

18 Outubro 2012 | 13h07

E a Mostra começa hoje à noite. ‘No’, de Pablo Larraín. Depois de duas semanas intensas no Rio, vou cair de cabeça no evento em São Paulo. Gosto do filme de Larraín, que é candidato do Chile a uma vaga no Oscar, disputando com ‘O Palhaço’, de Selton Mello, que ganhou, no outro dia, 12 (12!) prêmios da Academia Brasileira de Cinema. Não acrescentei nenhum post sobre o assunto porque confesso que, por mais que goste do filme do Selton, ele ainda é de 2011 e, depois da Première Brasil, minha cabeça já está em 2013. Acho legal que a Academia tenha descarregado seus prêmios em ‘O Palhaço’. Isso pode ajudar a impressionar os votantes da outra Academia, a de Hollywood, que vão decidir se colocam (ou não) no filme na disputa pelo prêmio de cinema mais… Qual é o adjetivo? Conhecido, disputado, desejado?… do mundo. Fiz hoje uma matéria no ‘Caderno 2’ sobre como a Motra está se aparelhando, ou se aparelhou,  para evitar que se repitam, aqui, as trapalhadas da projeção que prejudicaram tantos filmes no Festival do Rio. Vivi ontem o que promete ser um dos meus grandes momentos desta 36.ª Mostra. Entrevistamos, Flávia Guerra e eu, e a matéria estará no ‘Caderno 2’ de amanhã, o filho de Andrei Tarkovski. Andrei Andreiévitch veio à redação do ‘Estado’ e provocou o maior alvoroço entre todos os sexos. Ele é bonitão, um tipo, mas é principalmente carismático. Mora em Firenze, onde fica a sede da fundação que leva o nome. Falamos em italiano – sobre tudo. O suporte película dos filmes, o fato de ele ter sido um garoto solitário, sem amigos, e a reelação profunda com o pai, que não o tratava como criança e lhe dizia coisas que só muito mais tarde ele começou a entender. Pensei em Fernando Severo, que ama tanto Tarkovski. Vou me dar uma chance e tentar ver todos os filmes da retrospectiva de Tarkovski. Perguntei a Andrei Andreiévitch qual o seu favorito. Ele disse que é ‘Stalker’ e deu seus motivos. A ficção científica, uma fábula filosófica, seria o filme que melhor espelha seu pai – o homem, com suas indagações filosóficas e existgenciais; o artista, em swua guerra com o regime comunista. Disse-lhe que ‘Stalker’ é justamente um dos filmes de Tarkovski de que menos gosto. Quem sabe agora, na revisão…? Queria muito saber o opinião dele sobre Sergei Loznitsa, o maior diretor russo contemporâneo, crítico do czar Vladimir Putin e Andrei Andreiévitch disse que seus filmes são importantes, espelham a Rússia pós-comunista, essa farsa de democracia que o Ocidente aprova em nome da pá de cal no comunismo. Gostei demais de Andrei Andreiévitch. No Rio, tivemos encontros que me marcaram – com Marina Abramovic, Leos Caras etc. A entrevista com Tarkovski Jr. sinalizou para os encontros notáveis que poderei ter aqui. Claudia Cardinale! Ela vem mostrar o novo Manoel de Oliveira, mas a Mostra escolheu Leone, ‘Era Uma Vez no Oeste’, para a homenagem que vai lhe prestar. Eu teria escolhido Visconti, e ‘Vagas Estrelas’, mas isso é o de menos. Em sua 36.ª edição, a Mostra, agora com nova direção de Renata Almeida, recomeça. Que venham os bons filmes.