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Luiz Carlos Merten

23 Junho 2009 | 14h08

Conversei há pouco com a atriz francesa Elsa Zylberstein, que deveria ter vindo ao Brasil, integrando a caravana de artistas do 2º Panorama do Cinema Francês. Elsa teve um problema e cancelou a viagem na última hora. Há um mês, mais ou menos, tentara falar com ela, agendado pelo Otávio, do Eurochannel. A pauta seria a minissérie ‘Petits Meurtres en Famille’ e o título, de alguma forma, vale para ‘Há Tanto Tempo Que Te Amo’, de Philippe Claudel, que estreia na sexta-feira. ‘Pequenos Assasdsinatos em Família’… Elsa me deixou pendurado na linha e terminamos não falando. Desta vez, deu tudo certo e ela foi muito simpática, falando sobre essa personagem tão intensa que interpreta no filme de Claudel. Ele é romancista, escritor de livros fortes e densos – disse-me Elsa – e ela achou que seria interessante trabalhar com um jovem tão ‘surdoué’. Ela o tratou como jovem. Não faço ideia da idade do cara, embora pelo filme, a relação de duas irmãs – uma saiu da cadeia, depois de cumprir pena por um crime inominável -, não me admiraria se Claudel fosse um senhor cheio de vivência. É legal que seja jovem. Um diretor não deve ter idade nem sexo, para abordar todo tipo de personagem, seja homem ou mulher, moço ou velho. Sempre me impressionou muito que Samira Makhmalbaf, aos 18 anos, tenha feito ‘O Quadro-Negro’, sobre o sofrimento daquele velho com problema de próstata que não consegue urinar. Aquela sensação parece tão verdadeira que eu sofria com ele na plateia. Elsa divide a cena com Kristin Scott Thomas, a irmã ‘criminosa’. É difícil saber quem está melhor. Aguardem por ‘Há Tanto Tempo…’, se é que já não viram o filme. Aliás, tem uma sessão hoje no Rio, no Odeon BR, às 18h30 e outra amanhã em São Paulo, na Reserva, às 21 horas. Encaro daqui a pouco outra entrevista com Cédric Klapisch, o diretor de ‘Paris’, que hoje pela manhã deu um workshop na USP – gostaria de ter ido, mas a página de DVD me prendeu no jornal. É trabalhosa, com todas aquelas tabelas, capinhas etc. Minha tarde promete, porque depois de Klapisch corro para outra entrevista e será com Júlio Bressane, que também lança na sexta ‘O Cheiro do Rato’, que adaptou de Machado de Assis. Movimentado, não? Com toda essa correria, não vou conseguir ver ‘Transformers 2’. M…! Gostei tanto do primeiro, que me surpreendeu totalmente. Nunca havia gostado muito de Michael Bay, embora deva ter sido o primeiro jornalista brasileiro a entrevistá-lo, em Cannes. Nem me lembro do ano. Fui ao escritório da Columbia – acho que nem era Sony, ainda – para uma entrevista e uma das garotas me pediu, pelamor de Deus, se eu não falaria com um diretor que estava ali, encostyado num canto, e fizera um filme que havia estourado nos EUA. Era o primeiro ‘Bad Boy’, Michael Bay ainda era descobnhecido, mas me contou como frequentara Cannes – e fora premiado – no festival de filme publicitário. A próxima vez que o vi, também em Cannes, foi por ‘Armageddon’ e aí ele já era um mega-diretor, embora não exatamente pela qualidade… Acho esses caras malucos. Michael Bay me contou por que filmou a perseguição de ‘Bad Boys 2’ nas avenidas de Miami. Disse que não teria graça nenhuma fazer como os Wachowski Brotherts em ‘Matrix’, que haviam construído uma auto-estrada só para a perseguição no filme deles. McG é outro. Toda a guerra das máquinas na primeira parte de ‘O Exterminador do Futuro 4’ é real. Nada de green screen. Ele construiu cenários reais para destruir. Malucos, esses caras. Se ‘Transformers 2’ não prestar, espero que pelo menos a química entre Megan Foxx e Shia Laboeuf funcione…