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Luiz Carlos Merten

04 Agosto 2010 | 14h25

Marcelo Magalhães comenta sobre Edward G. Robinson, o astro de ‘Alma no Lodo’, Little Cesar, de Mervyn LeRoy, uma das atrações do ciclo ‘Gângsteres e Caubóis’, que começou ontem no CCSP e na Galeria Olido. Marcelo lamenta que Robinson esteja esquecido porque é um grande ator, e até o compara a Humphrey Bogart, que também não possuía o clássico padrão de beleza masculina em Hollywood, mas virou galã, graças ao êxito de ‘Casablanca’, de Michael Curtiz, com Ingrid Bergman. A verdade é que Edward G. Robinson era feio de doer e, perto dele, Bogart era um Adonis, o que não desmerece  Robinson, em absoluto. Ele estava mais para Charles Laughton, o Quasímodo de William Dieterle, mas suas personas eram diferentes, na tela. A propósito, nunca esqueci, quando ele morreu, o necrológio de uma revista francesa, no começo dos anos 1970, acho que ‘Écran’ ou ‘La Révue du Cinéma’. O redator destacava  justamente que este homem muito feio amava a beleza e possuiu a maior coleção privada de Hollywood, uma das maiores dos EUA, com quadros de Renoir, Monet, Degas, Utrillo e sei lá quem mais. Essa sensibilidade e refinamento ‘europeus’ acompanhavam Edward G. Robinson na vida. Nascido na Romênia, ele emigrou jovem para a ‘América’. Virou ator de teatro, representando os clássicos – ‘Os Irmãos Karamázov’, ‘Peer Gynt’ – até que numa peça fez seu primeiro gângster e foi descoberto pelo cinema. Edward G. Robinson trabalhou com os maiores – Billy Wilder, Fritz Lang, Joseph L. Mankiewicz, Orson Welles, John Huston. Em ‘A Cidade dos Desiludidos’, de Vincente Minnelli, é o produtor que se associa a Kirk Douglas e o filme tentando reviver, em flash-back, o que teria sido a grande fase dos dois, projeta imagens de ‘Assim Estava Escrito’, The Bad and the Beautiful, do próprio Minnelli, feito anos antes. O legal é que Robinson, tendo sempre encarnado o ‘durão’, teve seu momento Frank Capra, revelando uma porção ‘manteiga derretida’, ao lado de Frank Sinatra, em ‘Os Viúvos Também Sonham’. Robinson foi realmente uma figura poderosa. No começo dos anos 1960, fez um filme que nunca vi, mas dispõe de boa reputação. ‘Sozionho contra a África’ situa-se entre dois grandes filmes, ‘A Embriaguez do Sucesso’ e ‘Vendaval em Jamaica’, de Alexander Mackendrick. Será realmente bom? Fiquei aqui com a nostalgia de Edward G. Robinson… Tão feio, tantos bons filmes.