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Luiz Carlos Merten

29 Julho 2011 | 09h01

Estou em casa, acabo de entrevistar, por telefone, o diretor francês Gilles Paquet-Brenner, de um filme que me impressionou muito, ‘A Chave de Sarah’, que vai passar no Festival do Cinema Judaico. Não sei se ‘Sarah’ tem distribuição assegurada no Brasil, mas Jean-Thomas Bernardini bem poderia providenciar para que isso ocorresse. Claude Lanzmann sempre polemizou muito quanto ao tratamento ficcional da Shoah, mas eu estou mais com o escritor napolitano Erri de Luca, que na capa da ‘Transfuge’ de maio diz que os escritores devem, sim, dar conta do horror do Holocausto. Não só os escritores, os cineastas também (e eles têm dado). Gostei bastante de Paquet-Brenner. Falamos sobre as coincidências. O filme dele chega ao Festival Judaico, que começa segunda, na mesma semana em que estreia ‘Melancolia’, de Lars Von Trier (na sexta que vem) e coincide com o lançamento em DVD, quase 40 anos depois, de ‘Le Chagrin et la Pitié’, o clássico de Marcel Ophuls sobre o colaboracionismo na França. As declarações antissemitas de Lars, por simples provocações que tenham sido, a reconstituição da vida francesa sob a ocupação, tudo isso tem a ver com ‘Sarah’, que possui uma história terrível. Preparem-se para um choque, como o que eu tive ao ver, e rever, o filme num voo da Air France. Quero agora ver ‘A Chave de Sarah’ no cinema. Aproveito para acrescentar que ontem, na volta de Americana – onde visitei o set de ‘Totalmente Inocente’ -, tinha um monte de textos para redigir, depois fui jantar e isso me impediu de voltar ao blog. Pela manhã, meu editor, Ubiratan Brasil, havia feito um comentário do tipo ‘Vocês, críticos, são muito engraçados’, me mostrando ‘O Globo’, onde Rodrigo Fonseca não deixava pedra sobre pedra no ‘Capitão América’. Enquanto isso, Jotabê Medeiros e eu basbávamos o ovol na capá do ‘Caderno 2’. Rodrigo disse que o filme é um desastre monumental que nada nem ninguém – muito menos o carisma de Chris Evans – consegue salvar. Tá doido, Rodrigaço? O filme é muito bacana, tem aquele tom retrô de outro filme de heróis do diretor Joe Johnston, ‘The Rocketeer’ e, aliás, o TCM, reprisa no domingo a aventura com Bill Campbell e Jennifer Connelly. Revejam. Já defendi aqui o Joe Johnston. ‘Capitão América’ é muito legal.