Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Susannah York

Cultura

Luiz Carlos Merten

22 Janeiro 2011 | 11h04

TIRADENTES – O post sobre ‘O Gerente’, de Paulo Cézar Saraceni, vai ter de esperar. Só agora abri o blog, depois de dois dias voltado a múltiplas atividades. Mário me cobra por não ter escrito nada sobre a morte de Susannah York, aos 72 anos. Não sabia. Susannah York! Sua juventude é irresistível em ‘Freud, Além da Alma’, de John Huston, um papel difícil, e ‘As Aventuras de Tom Jones’, de Tony Richardson, mas Susannah, para mim, é (era) a atriz de dois grandes papéis. Em ‘Imagens’, de Robert Altman, que lhe deu o prêmio de interpretação feminina em Cannes, ela cria aquela mulher, uma escritora de livros infantis, que se projeta num universo meio de sonho, com a figura daquele unocórnio que a persegue. Em ‘Triângulo Feminino’, de Robert Aldrich, forma um triângulo amoroso com Karel Reid e Coral Browne. Já disse mil verzes que, com raras exceções, prefiro filmes sobre gays feitos por cineastas heteros. Huston e Aldrich são insuperáveis em ‘Os Pecados de Todos Nós’ e ‘Triângulo Feminino’, por mais respeito que tenha por meu amado Luchino Visconti, de ‘Morte em Veneza’. Aldrich era truculento. A cena de sexo, mesmo que não fosse explícita, entre Coral Browne e Susannah York permanece no meu imaginário como uma das coisas mais fortes que vi na tela. Puta coragem daquelas duas – da Suzannah, que se lixava para as convenções de Hollywood, para servir ao papel. Grande Susannah. Ampliando um pouco a conversa, na quinta, além das ‘trocentas’ matérias que tinha para a edição de sexta do ‘Caderno 2’ e dos filmes na TV de domingo, tive de fazer tudo a galope para poder sair à tarde, para assistir a ‘Amor e Outras Drogas’, de Edward Zwick, na cabine da Fox. O que são o Jake Gyllenhaal e a Anne Hathaway? Os dois já haviam feito ‘O Segredo de Brokeback Mountain’, de Ang Lee. Que que é aquilo? Mas eu não sabia que ia rever JIll Clayburgh. Ela aparece pouquinho, como a mãe de Jake. Achei-a bem. Não estava devastada pelo câncer, do qual morreu em seguida. A falta de que essas mulheres fazem. Susannah York quase não fazia mais cinema. Lembro-me de haver feito uma busca certo dia e ter encontrado um monte de coisas dela na TV. E a Susannah ainda estava bonita, não uma velha ‘jovem’, como Jane Fonda e Sophia Loren, mas uma senhora classuda. Sua morte me entristece.